
Os furtos de cabos e fios caíram 51,9% no Ceará no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Apesar da redução expressiva em relação ao mesmo período do ano passado, esse tipo de crime ainda provoca interrupções no fornecimento de energia elétrica, gera prejuízos para empresas e compromete o funcionamento de serviços essenciais, como hospitais, escolas e unidades de saúde.
Entre janeiro e junho deste ano foram registradas 283 ocorrências, contra 588 casos no primeiro semestre de 2025. Isso representa uma redução de 305 furtos, resultado atribuído ao trabalho conjunto entre as forças de segurança e a Enel Distribuição Ceará, que intensificaram ações de fiscalização, investigações e investimentos em tecnologia para combater o crime.
Segundo a SSPDS, a queda nos indicadores é resultado de uma estratégia baseada em três frentes principais: repressão aos autores dos furtos, fiscalização de sucatas e estabelecimentos de reciclagem e fortalecimento das investigações para identificar toda a cadeia criminosa.
O coordenador da Coordenadoria Integrada de Planejamento Operacional (Copol) da SSPDS, Harley Filho, explica como o trabalho vem sendo desenvolvido.
"Nós atuamos hoje em três vertentes. A primeira delas, que nós chamamos a base dessas ações, é o combate contra as pessoas que estão nas ruas realizando esse esforço. Um segundo pilar, e essa foi muito importante no combate na redução desses índices, foi um trabalho integrado de fiscalização em sucatas e locais de reciclagem. E, por fim, nós temos as ações investigativas propriamente ditas."
Além das prisões em flagrante, as investigações procuram identificar quem compra ou recebe o material furtado, considerado fundamental para a manutenção desse mercado ilegal.
Além da atuação policial, a Enel passou a investir em recursos tecnológicos para dificultar a comercialização do material furtado.
Uma das medidas é a aplicação de uma tinta com nanotecnologia nos cabos da rede elétrica. O sistema funciona como uma espécie de identificação permanente do material, permitindo rastrear sua origem mesmo após processos de derretimento ou trituração.
Segundo o gerente de Operações da Enel, Marcelo Gomes, a tecnologia amplia as possibilidades de responsabilização dos envolvidos.
"A partir dessa nanotecnologia a gente consegue ter um DNA, com que a gente consegue rastrear desde o momento da quadrilha que faz o corte e subtrai o cabo até o receptador. A lei é clara que quem corta e quem recepciona também está enquadrado a nível criminoso."