
O governo brasileiro anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade e aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A medida, que entra em vigor em 22 de julho, foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ao término de uma investigação comercial iniciada há cerca de um ano.
Em nota oficial divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países e afirmou que a investigação conduzida pelos Estados Unidos não possui legitimidade sob a ótica brasileira. O governo também sustentou que as medidas adotadas por Washington não encontram respaldo nas normas do sistema multilateral de comércio.
Como resposta, o Executivo informou que dará início imediato aos procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, além de retomar a discussão do caso na Organização Mundial do Comércio.
Na avaliação do governo federal, não há justificativa técnica para a imposição das novas tarifas.
Na nota oficial, a Presidência afirma que "o dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável" e argumenta que, ao longo dos últimos meses, apresentou informações ao USTR para contestar todos os pontos levantados durante a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo o Executivo, os esclarecimentos enviados não foram considerados suficientes pelas autoridades norte-americanas.
A decisão americana provocou reações políticas no Brasil.
Enquanto parlamentares da oposição atribuem o resultado à condução da política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do Executivo afirmam que a medida possui motivação política e ideológica.
Segundo dados apresentados pela diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos entre representantes dos dois países desde o anúncio inicial da investigação