
O plano de governo da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República propõe manter os programas sociais existentes, aproveitar a capilaridade da Caixa Econômica Federal para induzir mobilidade social e dar foco aos mercados de minerais críticos e de data centers.
Flávio deve divulgar o programa completo, intitulado “Para o Brasil vencer o atraso”, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais na noite desta quinta-feira, 13. O Estadão teve acesso a parte das propostas contidas no documento, que tem as digitais da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa.
O PL quer manter os programas sociais criados pelos governos do PT, “com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes”. O plano diz que o beneficiário terá prioridade nas políticas de primeiro emprego e qualificação profissional. A proposta foca no que tem sido uma das maiores críticas dos conservadores em relação ao Bolsa Família: de que beneficiários do auxílio deixam de procurar um emprego formal para não perder os repasses.
“Para reduzir o medo de aceitar uma oportunidade e depois ficar desamparado, a proposta prevê ainda o retorno imediato e sem fila ao benefício após o segurodesemprego, desde que permaneçam atendidos os critérios de elegibilidade. O objetivo é fazer da proteção uma segurança para quem tenta avançar, e não uma barreira para a entrada no mercado de trabalho”, afirma o plano.
Flávio propõe retomar o programa Casa Verde e Amarela, que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, implementou em substituição ao Minha Casa Minha Vida durante seu governo (2019-2022). O PL menciona a meta de construir 2,5 milhões de residências, além de regularização fundiária, urbanização de áreas degradadas e parcerias para integrar habitação e infraestrutura. A escritura da casa deve ser entregue para em nome da mulher.
Citado diversas vezes, o banco estatal é descrito como um “instrumento de mobilidade social” e um “Banco da Prosperidade”, usando do léxico evangélico. O plano sugere aproveitar a capilaridade da instituição para oferecer crédito, orientação financeira, apoio ao empreendedorismo, financiamento habitacional e regularização da casa.
A proposta inclui o programa Ganha-Ganha, de adesão voluntária. Flávio quer ampliar o acesso a crédito, reduzir juros e gerar benefícios como cashback social para quem concluir uma qualificação, formalizar um negócio, conseguir um emprego ou manter as contas em dia.
Consta a previsão de “mobilizar” R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, mencionando contar com privatizações, parcerias público-privadas e outros instrumentos de financiamento.
O plano propõe simplificar a conta de luz e racionalizar encargos e subsídios, com redução gradual da CDE e manutenção da tarifa social. “Energia mais barata e confiável também integra a estratégia para transformar o Brasil em polo de data centers e inteligência artificial”, diz o documento. Flávio aposta na expansão dos biocombustíveis (etanol, biodiesel, SAF e biogás) e na implantação de novas tecnologias de armazenamento de energia.
O plano de governo diz defender um Estado “eficiente, responsabilidade fiscal, liberdade econômica, proteção social com oportunidade, segurança pública e respeito à vida, à família, à propriedade privada, à democracia e às liberdades de expressão e religiosa”.