
O Nordeste terá cerca de R$ 10 bilhões destinados a ações de segurança hídrica diante dos possíveis efeitos do El Niño, segundo medidas apresentadas pelo Governo Federal nesta quarta-feira, 2.
O pacote inclui a construção de 2.800 quilômetros de canais e adutoras, novos reservatórios, recuperação de barragens e cisternas. A preocupação central na região é com a disponibilidade de água e possíveis impactos sobre a produção e o abastecimento de alimentos.
O governo também informou que os principais reservatórios nordestinos estão, neste momento, em situação considerada confortável na comparação com outros períodos.
Ainda assim, o planejamento prevê ações para reduzir os impactos de uma eventual redução das chuvas. Entre os projetos citados está a ampliação da infraestrutura vinculada ao Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
Entre as intervenções anunciadas para o Nordeste estão os ramais de Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste. O conjunto dessas obras representa R$ 4,8 bilhões em investimentos e, segundo o Governo, deverá alcançar cerca de 12 milhões de pessoas.
Também estão previstas a construção de novos reservatórios, com acréscimo de 2,2 milhões de metros cúbicos de capacidade, a recuperação de 162 barragens e de 172 mil cisternas.
As medidas fazem parte da estratégia federal para ampliar a capacidade de armazenamento e distribuição de água diante de períodos de escassez.
Em situações emergenciais, a Operação Carro-Pipa permanece como uma das alternativas para o abastecimento de comunidades atendidas pelo programa. Segundo o governo, a operação já recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês.
O cenário atual de armazenamento hídrico no Ceará ajuda a dimensionar o ponto de partida para o período de possível influência do fenômeno.
Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), em um levantamento publicado pelo O POVO, o Estado apresentava 50% da capacidade total armazenada nos 144 açudes, índice semelhante ao registrado no mesmo período de 2025. Naquele momento, cinco reservatórios estavam sangrando e outros 40 tinham volume superior a 90%.
A situação era associada principalmente às chuvas dentro da normalidade nos dois anos anteriores e ao aporte registrado em 2024, quando o Ceará teve sua melhor quadra chuvosa em 15 anos.O cenário, portanto, combina uma condição hídrica atualmente mais favorável no Estado com a necessidade de preparação para um período de maior irregularidade climática.