Quinta, 10 de Setembro de 2026
22°C 36°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Produção de feijão no Ceará chega a 122,5 mil toneladas na safra 2025/2026

Estado reduz área plantada, mas mais que dobra a produção, impulsionando o crescimento de 17,8% previsto para o Nordeste no ciclo

10/09/2026 às 09h00
Por: Rita de Cássia Fonte: Opinião Ce
Compartilhe:
Divulgação/UFC
Divulgação/UFC

A produção de feijão no Ceará deverá mais que dobrar na safra 2025/2026, alcançando 122,5 mil toneladas, segundo levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do sistema Comex Stat.

O volume representa um crescimento de 131,6% em relação às 52,9 mil toneladas registradas na safra 2024/2025. O avanço ocorre mesmo com a redução da área plantada no Estado, que passou de 336,4 mil hectares para 314,9 mil hectares no período.

Os números colocam o Ceará como o Estado nordestino com maior crescimento relativo na produção de feijão no ciclo 2025/2026. O desempenho é atribuído principalmente à recuperação da produtividade, favorecida por melhores condições climáticas durante parte do ciclo produtivo.

Continua após a publicidade
Anúncio

Nordeste terá alta de 17,8% na produção

A produção de feijão no Nordeste deverá alcançar 711,7 mil toneladas na safra 2025/2026, alta de 17,8% em relação ao ciclo anterior. O resultado contrasta com a retração de 3,2% prevista para a produção nacional. Além do Ceará, Bahia e Piauí estão entre os Estados que contribuem para o desempenho regional. A Bahia permanece como maior produtora nordestina, com previsão de 318,5 mil toneladas.

O Piauí deverá produzir 71,3 mil toneladas, crescimento de 33% em relação à safra anterior.

Exportações de feijão também avançam

Além do aumento da produção, o Nordeste ampliou sua participação no mercado internacional. Entre janeiro e julho de 2026, a região exportou 17,5 mil toneladas de feijão, movimentando US$ 13,05 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 31,9% no volume e de 27,8% no valor das exportações. O saldo comercial permaneceu positivo, sem registro de importações.

O Maranhão liderou as vendas externas nordestinas, com embarques de 12,42 mil toneladas e receita de US$ 9,74 milhões, respondendo por aproximadamente três quartos das exportações regionais.

A Bahia apareceu na segunda posição, com 4,4 mil toneladas exportadas e faturamento de US$ 2,81 milhões. Já o Piauí registrou o maior crescimento proporcional entre os principais exportadores, com US$ 493,6 mil em vendas e 683,6 toneladas embarcadas – altas de 84,4% e 108,5%, respectivamente.

Demanda asiática impulsiona mercado

Segundo o estudo do Etene, a expansão das exportações está fortemente associada ao aumento da demanda asiática por feijões do tipo vigna, especialmente o feijão-caupi, também conhecido como feijão-fradinho ou feijão-de-corda. Índia, Paquistão e Vietnã estão entre os principais destinos das vendas brasileiras.

Para Luciano Feijão Ximenes, gerente executivo da Célula de Estudos e Pesquisas Setoriais do Etene e um dos autores do levantamento, os resultados mostram o potencial competitivo do Nordeste no mercado internacional de leguminosas.

“Os resultados mostram que o Nordeste vem consolidando uma posição estratégica na produção e no comércio exterior de feijão-caupi. Trata-se de uma cultura adaptada às condições da região e que encontra demanda crescente em países asiáticos com tradição de consumo de leguminosas. Esse movimento amplia oportunidades para produtores nordestinos e reforça a importância da diversificação produtiva e comercial do setor”, afirma.

O pesquisador também destaca que a combinação entre recuperação da produtividade e expansão das exportações fortalece a cadeia produtiva regional. “O avanço das vendas externas ocorre em um momento em que a oferta nacional está mais ajustada. Isso demonstra a capacidade do Nordeste de atender mercados especializados e agregar valor à produção regional. Ao mesmo tempo, evidencia a necessidade de investimentos em logística, armazenagem, assistência técnica e gestão de riscos climáticos para sustentar esse crescimento no longo prazo”, avalia.

Ceará ganha destaque

No caso cearense, o salto de 52,9 mil para 122,5 mil toneladas chama atenção porque ocorreu simultaneamente à redução da área cultivada. A área plantada caiu cerca de 6,4%, enquanto a produção prevista mais que dobrou. O resultado reforça o peso do ganho de produtividade para explicar o desempenho do Estado na safra 2025/2026 e coloca o Ceará como um dos principais destaques da produção regional de feijão.

Publicidade
Publicidade