
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, criticou severamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante entrevista concedida à CNN Brasil nesta terça-feira, 27 de outubro. Guimarães classificou o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno como “frouxo” e sem preparo para governar o país, em reação às notícias de que o parlamentar deixou o Brasil em direção à Argentina para seguir aos Estados Unidos.
Durante a transmissão, o ministro enfatizou a falta de coragem e o desrespeito com os eleitores diante dos indícios de saída do país sem explicações à sociedade e à democracia.
“O que se espera de um político é coragem. Eu acho que esse fato mostrou que o nosso adversário não estava preparado, não tem coragem nenhuma, é frouxo e, portanto, abandona o país desse jeito”
O líder governista relembrou a postura do presidente Lula quando foi processado na Operação Lava Jato, destacando que o petista recusou conselhos para deixar o Brasil, cumpriu a pena e aguardou a anulação dos processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Guimarães também apontou contradições nas posturas de Flávio Bolsonaro durante o processo eleitoral. Após a derrota nas urnas, o candidato derrotado chegou a condenar o pedido de prorrogação do horário de votação à Justiça Eleitoral feito por seu próprio partido (PL).
Ao abordar o cenário internacional, José Guimarães comentou a ausência de cumprimentos formais da Argentina e dos Estados Unidos após a liquidação do pleito. O ministro destacou que a maioria dos líderes globais da Europa e da América Latina, incluindo governos de diferentes espectros políticos, como Colômbia, Bolívia, Uruguai, Peru e México, já telefonaram para parabenizar o presidente reeleito.
Sobre Javier Milei, Guimarães afirmou que “não se espera nada”, atribuindo a postura à crise enfrentada pela Argentina. Quanto a Donald Trump, o ministro citou que o presidente norte-americano fez declarações recentes afirmando que gosta de Lula, e disse ter a expectativa de que o reconhecimento oficial da eleição brasileira ocorra a curto prazo.
A fala do ministro ocorre em meio às investigações da Polícia Federal sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira, 26 de outubro, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do senador no âmbito de um inquérito que apura lavagem de dinheiro em conjunto com o advogado Willer Tomaz.
Com o não cumprimento da entrega dentro do prazo estipulado, a Polícia Federal procedeu ao cancelamento dos documentos de viagem e acionou autoridades da Argentina para verificar se o parlamentar cruzou a fronteira de forma irregular. Aliados e familiares do senador negam a tentativa de fuga.
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