É mais comum ver esse tipo de postura em momentos de catástrofes naturais ou acidentes de grandes proporções, onde a comoção geral exige declarações ou a presença da autoridade in loco. Em situação de flagrante de incompetência na construção de obra pública, é a primeira vez que vejo algo assim, o que me faz acreditar na boa vontade do governador.
Generalização
Sobre as críticas, Cid Gomes disse apenas que
os críticos são… os críticos!, dando a entender que eventuais divergências ao seu estilo político ou ao seu desempenho administrativo não passam de birra, de negativismo automático.
Desqualificar e generalizar a crítica como mera torcida contra ou como ofensa pessoal é o tipo de postura que revela pouca tolerância com o contraditório, algo que não combina com o ideal democrático. Ninguém gosta de ser criticado, é óbvio. Mas é aquela história do aforismo de Nornam Peale: “O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”.
Sempre alerta
Resumindo, Plutarco dizia que o “Homem de Estado” não deveria se deixar cegar pelos elogios de aduladores e bajuladores, que tendem a supervalorizar seus feitos e ideias, criando um mundo de miragens e fantasias, de olho apenas em cargos e recompensas. Para evitar esse erro, a melhor saída, segundo o filósofo, é ouvir justamente as críticas, especialmente as dos inimigos.
Com os devidos descontos, ensina o grego, a crítica pode servir de alerta, afastando o líder da presunção de infalibilidade e reforçando em seu espírito a auto-vigilância, fundamental contra a acomodação do poder. Se por um lado o governante não deve calar os opositores, também não deve se fiar somente pelo o que eles dizem. Na verdade, a sabedoria está em saber descartar os exageros de elogios e críticas, para então fazer um meio termo que o aproxime mais da realidade.
Politicagem
Voltando ao caso da adutora de Itapipoca, o papel do governador Cid Gomes no caso deve ir muito além das ações, digamos, inusitadas de estímulo a operários. Somente ele, e mais ninguém, tem o poder de chamar o titular da Secretaria de Recursos Hídricos, o sociólogo Cesar Augusto Pinheiro, apadrinhado do senador Eunício Oliveira (PMDB), e que até o momento não veio a público explicar o caso, para cobrar-lhe as devidas responsabilidades.
Olha aí uma coisa que ninguém criticou até agora: loteamento de cargos em secretarias técnicas.
Wanderley Filho é historiador, colunista de política da Tribuna Band News FM 101.7 e responsável pelo Blog do Wanfil, no Tribuna do Ceará.