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Ex-diretor da Petrobras cita 61 parlamentares

Ex-diretor da Petrobras cita 61 parlamentares

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
06/09/2014 às 12h42 Atualizada em 28/04/2021 às 14h06
Ex-diretor da Petrobras cita 61 parlamentares
Foto: Reprodução
Desde o dia 29 de agosto, Costa está depondo em regime de delação premiada para tentar obter o perdão judicial. Ele é alvo da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que desmantelou um grande esquema de lavagem de dinheiro e de corrupção na Petrobras. O número de políticos citados foi mencionado por Costa nos primeiros depoimentos, mas pode crescer enquanto durar a delação.
Costa relatou a formação de um cartel de empreiteiras dentro da Petrobras, em quase todas as áreas da estatal. Partidos políticos eram supostos beneficiários de recursos desviados por meio de comissões em contratos arranjados.
O ex-diretor contou que os desvios nos contratos da Petrobras envolveriam desde o funcionário do terceiro escalão até a cúpula da empresa, durante sua gestão na diretoria de Abastecimento, entre 2004 e 2012. O ex-executivo também citou quase todas as grandes empreiteiras do País que conseguiram os contratos. Inicialmente seu alvo foram as empresas, mas, segundo ele, políticos também foram beneficiados com propinas.
Por causa da citação aos políticos, que têm foro privilegiado, os depoimentos serão remetidos para a Procuradoria Geral da República. A PGR afirmou que só irá receber a documentação ao final do processo de delação.

Perdão judicial
O acordo assinado por Paulo Roberto prevê praticamente o perdão judicial. A pena que ele receberá será mínima comparada aos 50 anos que poderia pegar se responder aos processos. Já é réu em duas ações, uma sobre corrupção na Petrobras e outra sobre ocultação e destruição de documentos.
O acordo prevê que o ex-executivo será colocado em liberdade quando encerrar os depoimentos. Ele deve ficar um ano usando tornozeleira eletrônica, em casa, no Rio, sem poder sair.
Os depoimentos são todos filmados e tomados em uma sala da PF em Curitiba. Ao final de cada dia os depoimentos são lacrados e criptografados pelo Ministério Público Federal, que os envia diretamente para a PGR, em Brasília. A PGR mandou emissário a Curitiba no início do processo de delação.
O doleiro Alberto Youssef, também preso acusado de ser um dos cabeças do esquema desbaratado pela Lava-Jato, também tentou negociar com o Ministério Público Federal uma nova delação premiada (ele fez uma no caso Banestado, em 2003), mas desistiu ao ser informado que passaria pelo menos 3 anos preso, em regime fechado.

Calheiros
O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mencionado por Costa nos depoimentos. As empresas ganhariam os contratos em troca de pagar propina de 3% para deputados e senadores.
Um dos negócios mencionados envolvendo Renan é um acerto com Youssef para que o Postalis comprasse R$ 50 milhões emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos investidores. O doleiro teria se reunido com Renan, em Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse negócio. O fundo de pensão dos Correios é controlado pelo PMDB e PT.
O negócio não ocorreu porque estava em curso quando Youssef e Paulo Roberto foram presos. A empresa fechou após as prisões. A assessoria de Renan afirmou que não localizou o senador para comentar o assunto.