De acordo com a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre os nordestinos entrevistados, 20% tomaram a mesma decisão de Mistelena. Ainda conforme a pesquisa, 33% deixaram de ter plano de saúde e 48% passaram a usar mais transporte público.
Para a estudante de Direito Yallis Marques, 23, o jeito foi vender o carro herdado do pai, que, por três anos, garantiu idas e vindas. Com a decisão, além da economia com gasolina e manutenção, veio a necessidade de conter ainda mais os gastos. “Moro próximo à UFC (Universidade Federal do Ceará), então vou a pé até lá, pego o ônibus universitário, que é de graça, e tento descer perto do trabalho”.
Se o orçamento está apertado, R$ 64 podem fazer ainda mais falta. Por esse valor, o atendente de call center José Joeberson de Sousa, 25, cancelou o plano de saúde. “Primeiro a empresa onde trabalho retirou o benefício. Mesmo assim decidi continuar. Depois, com o reajuste de R$ 116 para R$ 180, cancelei. Hoje em dia chega a ser luxo ter um plano”, afirmou.
Segundo a pesquisa, essas mudanças de comportamento resultam em maior procura por serviços públicos, que também passam por uma restrição fiscal. Os governos, mais do que o habitual, não conseguem responder à demanda.
O POVO Online