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Machado nega vínculo com campanha Dilma-Temer, mas reafirma corrupção na Transpetro, dizem advogados

Machado nega vínculo com campanha Dilma-Temer, mas reafirma corrupção na Transpetro, dizem advogados

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
23/10/2016 às 15h20 Atualizada em 23/10/2016 às 15h20
Machado nega vínculo com campanha Dilma-Temer, mas reafirma corrupção na Transpetro, dizem advogados
Foto: Reprodução
Machado foi ouvido, na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, e pelo próprio presidente do TRE-CE,Antônio Abelardo Benevides Moraes. A oitiva, que se estendeu entre meio-dia e duas da tarde, ocorreu no âmbito de ação em que o PSDB pede a cassação da chapa eleita em 2014. Acompanharam a audiência, os advogados de Dilma Rousseff, Flávio Caetano e Renato Franco; o advogado de Michel Temer, Gustavo Guedes; e os advogados do PSDB, José Eduardo Alckmin e Gustavo Kanpffer.
No processo contra a chapa Dilma-Temer, as duas equipes de advogados defendem a improcedência da denúncia, embora ambos estejam hoje em campos políticos opostos, após o processo que culminou com o impeachment da petista em 31 de agosto. “As defesas trabalham pela improcedência, por terem a convicção, reforçada agora por essas audiências,de que não houve nenhum tipo de contaminação da eleição presidencial”, afirmou o advogado de Temer, Gustavo Guedes. Ele acrescentou, no entanto, que apesar da convergência na argumentação de defesa dos componentes da chapa, “é natural, para mim, que cada um tenha o seu advogado, o que não significa que isso vá trazer alguma tese conflitante”.
Guedes também disse que “não há nenhuma novidade naquilo que constava no depoimento anterior do Sérgio Machado. Em relação ao que nos interessa, que é o processo de 2014, ele ressaltou que não tem conhecimento de nenhum pagamento para a campanha presidencial de 2014”.

Linha de defesa
Já o defensor de Dilma, Flávio Caetano, destacou que “é a 26ª testemunha de acusação a depor e a 26ª que diz que não tem relação nenhuma com o processo da eleição da chapa. Isso ajuda demais a tese de Dilma e Temer de que a campanha foi regular. Então, não há nada a ser impugnado”. 
Caetano também reforçou a ideia de que, pelo menos no que se refere ao processo contra a chapa Dilma-Temer, há convergência entre as duas equipes de advogados. “A linha de defesa foi feita em conjunto. Porque ela foi feita em conjunto? Porque tanto Dilma quanto Temer, defendem e sustentam a regularidade da campanha. Uma campanha que foi feita com presidente e com vice porque não existe presidente sem vice e nem vice sem presidente”, sustentou.

Ação do PSDB
Por sua vez, o advogado do PSDB, José Eduardo Alckmin, disse que embora Machado tenha apenas reiterado denúncias feitas anteriormente, o depoimento do ex-dirigente, contribui para a ação movida pelo partido “na medida em que mostra que havia uma habitualidade sistêmica de se fazer desvios de recurso da Transpetro e da Petrobras para aplicar nas campanhas eleitorais”. 
Ele argumenta que as declarações prestadas por Machado refletem “no fundo, a tese que o PSDB sustenta desde o início: que o dinheiro que foi desviado da Petrobras, que vem sendo comprovado de modo diário pela Operação Lava-Jato, foi em grande parte para encampar campanhas políticas”. 
Através da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) - sob o número 194358 - o PSDB motivou denúncia contra a aprovação com ressalvas das contas da campanha da chapa presidencial PT-PMDB pelo TSE, em dezembro de 2014.

Propina
Em junho último, o ex-presidente da Transpetro afirmou que repassou propina a políticos de pelo menos seis partidos. 
Neste sábado (22), embora, nem Sérgio Machado, nem a defesa dele e nem os juízes que ouviram o depoente tenham feito nenhuma declaração à imprensa, os advogados de defesa e de acusação no processo relataram que o ex-dirigente voltou a citar como beneficiários de propina, os nomes dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Aécio Neves (PSDB-MG), Agripino Maia (DEM-RN), do deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI), além do ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto em 2014.
O advogado de Dilma, Flávio Caetano, afirmou ainda que “foi feita uma pergunta em relação ao presidente Michel Temer, sobre as eleições de 2012 à prefeitura de São Paulo, com relação ao candidato Gabriel Chalita. Ele contou a mesma história: que teve essa conversa com, o então vice-presidente, Michel Temer e foi feita uma doação ao Gabriel Chalita”, também se referindo a uma denúncia feita anteriormente pelo ex-presidente da Transpetro.
Hoje, o cearense Sérgio Machado, um dos delatores da Operação Lava-Jato, cumpre prisão domiciliar em Fortaleza. A transcrição do depoimento prestado neste sábado pelo ex-presidente da Transpetro deve ser disponibilizada pela Justiça Eleitoral nos próximos dias, em data ainda não confirmada.

Diário do Nordeste