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Estudo mostra que vacina protege contra zika

Estudo mostra que vacina protege contra zika

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
14/07/2017 às 15h48 Atualizada em 14/07/2017 às 15h48
Estudo mostra que vacina protege contra zika
Foto: Reprodução
“A expectativa é de que iniciemos os estudos clínicos em voluntários a partir de janeiro”, afirmou o diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos.
A confiança se dá não apenas pelos resultados agora publicados na revista americana. A equipe chefiada por Vasconcelos já concluiu um estudo para avaliar a eficácia da vacina em primatas, com resultados igualmente promissores. Os detalhes desse outro trabalho, no entanto, somente deverão ser anunciados depois da publicação em revista especializada.
O estudo divulgado ontem foi feito a partir da observação de 46 fêmeas de camundongo. Metade do grupo recebeu a vacina desenvolvida pelo instituto e metade recebeu placebo. Passados 28 dias, animais foram testados. O grupo vacinado apresentou altos índices de anticorpos contra zika.
Em uma outra etapa, todas as fêmeas acasalaram. Dias depois, foram expostas ao vírus. Nos camundongos vacinados, foram encontrados apenas traços genéticos de zika, mas em uma quantidade considerada pouco significativa. Além disso, não foram encontrados traços de vírus na placenta ou em tecidos cerebrais dos fetos de camundongos que haviam sido imunizados.
Os resultados foram obtidos com a aplicação de uma dose do imunizante. Pesquisadores repetiram o estudo com outra vacina, desenvolvida pelo grupo Valera. Para esse braço do trabalho, 19 fêmeas de camundongos receberam duas doses da vacina. Um grupo controle, com 19 fêmeas, recebeu placebo. As fêmeas também acasalaram e, já prenhas, foram expostas ao vírus zika. Os traços de vírus encontrados nas mães, nas placentas e nos fetos foram baixos no grupo imunizado.
“Os trabalhos indicam que as duas vacinas exercem um papel protetor.
A diferença é a de que do instituto é preciso apenas uma dose”, avalia Vasconcelos.
O imunizante desenvolvido pelo Instituto Evandro Chagas é feito a partir do vírus zika atenuado. Por se tratar de organismo geneticamente modificado, o imunizante precisa passar pelo crivo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTBio). Além disso, é necessária a aprovação do Comitê de Ética da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Somente depois de concluída estas etapas é que testes clínicos poderão ser realizados.
Vasconcelos disse não ter dúvida de que uma nova onda de epidemia de zika poderá se instalar no País. “Não sabemos quantos anos isso deverá levar. Mas não há dúvidas de que ela virá”, avaliou. 

Agência Estado