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Temer lavou dinheiro de propina em imóveis da família, diz investigação da PF

Temer lavou dinheiro de propina em imóveis da família, diz investigação da PF

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
27/04/2018 às 10h01 Atualizada em 27/04/2018 às 10h01
Temer lavou dinheiro de propina em imóveis da família, diz investigação da PF
Foto: Reprodução
Além de Temer, a primeira-dama, Marcela, e Michelzinho, o filho do casal, também são proprietários de alguns desses imóveis. As informações são da Folha de São Paulo. De acordo com a PF, o presidente recebeu pelo menos R$ 2 milhões em propina através do coronel João Baptista de Lima Filho.
O pagamento teria ocorrido em 2014, ano em que Temer foi reeleito vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff. Na época, duas reformas foram feitas em imóveis em nome da filha dele, Maristela Temer, e de sua sogra, Norma Tedeschi. Os valores eram semelhantes ao valor da propina.
Um dos fornecedores da obra de reforma do imóvel de Maristela já havia afirmado que recebeu pagamento em dinheiro vivo das mãos da mulher do coronel Lima, Maria Rita Fratezi, 
A origem do dinheiro é, segundo os investigadores, a JBS e outra empresa contratada pela Engevix. Em delação, os executivos da JBS disseram ter repassado, em setembro de 2014, R$ 1 milhão a Temer, por intermédio do coronel.
A investigação aponta que o esquema no setor portuário dura mais de 20 anos e durou, pelo menos, até maio do ano passado, quando Temer, já presidente, assinou o decreto que prorroga os contratos de concessão e arrendamentos portuários, o que teria beneficiando empresas ligadas ao MDB. 

Defesa 
O advogado do presidente, Brian Alves Prado, disse “valores transacionados a partir de doações, aquisições de imóveis ou investimentos, são absolutamente compatíveis com seus rendimentos [de Temer] declarados à Receita Federal”. 
Segundo Prado, “a tentativa de envolver sua família em notícias de suspeita de lavagem de capitais, inclusive quanto a doações declaradas, com impostos recolhidos, ao seu filho de apenas 8 anos, se revela aviltante, desrespeitando a honradez do presidente em sua vida pública e pessoal”.
Já a defesa do coronel Lima afirmou que ele “nega veementemente qualquer irregularidade em sua conduta e participação em atos ilícitos”.
Sobre a Engevix, o advogado Cristiano Carvalho disse que a empresa já negou publicamente qualquer relação ilícita com Lima. Com relação à delação da JBS, a defesa afirma que “é improcedente e não encontra corroboração em elementos de prova”.