Essas vinculações, no momento, motivadoras de comentários cheios de cavilações, devem influenciar na elasticidade dos parâmetros estabelecidos pela Corte de Contas para a fiscalização rotineira das gestões municipais cearenses.
Um acompanhamento mais de perto do Tribunal de Contas nas prefeituras de Juazeiro do Norte, Aracati, Eusébio e Graça, onde os prefeitos querem fazer de seus filhos deputados, em Camocim, onde a prefeita ajudará a reeleger o marido para a Assembleia, em Caucaia, São Benedito e Quixadá, onde os maridos querem eleger suas mulheres, em Itarema e Sobral, onde os chefes dos executivos votam em seus irmãos, e em algumas outras onde os pais, tios, parentes em outros graus e em seus padrinhos políticos, por certo inibirá alguns excessos de gastos com o dinheiro público e a utilização dos equipamentos e serviços dos municípios em benefício próprio, contribuindo, indiscutivelmente, para a preservação do patrimônio da edilidade e para uma disputa menos desigual.
Risco
Para critério de suas fiscalizações ordinárias presenciais, a administração do Tribunal de Contas do Estado classificou as prefeituras "em cinco níveis de risco: extremo, alto, médio, baixo e mínimo".
Parte dos municípios com parentes próximos dos prefeitos candidatos estão enquadrados em alguns destes níveis, não por conta das eleições, mas por uma série de outros fatores. Advertido sobre o quanto o processo eleitoral pode comprometer as gestões municipais onde o prefeito quer eleger um seu familiar, o critério eleição pode ser incluído no rol dos pontos que motivaram o Tribunal a estabelecer a gradação das causas das fiscalizações presenciais.
Secretarias do Governo do Estado também precisam estar no "radar" do TCE neste ano. Alguns dos ex-secretários que disputarão vagas nos legislativos deixaram tentáculos nas pastas que ocupavam antes do prazo da desincompatibilização (7 de abril passado) imposta pela Legislação Eleitoral.
O caso da Secretaria de Desenvolvimento Agrário é o exemplo mais evidente. O ex-secretário, deputado Dedé Teixeira, foi substituído pelo presidente do seu partido, o PT, De Assis Diniz, também do seu mesmo grupo dentro da agremiação, consequentemente interessado em manter a estratégia de reeleição do deputado e de mais petistas. Outros exemplos podem ser citados, todos merecedores da atenção da Corte de Contas.
Diário do Nordeste