Sábado, 09 de Maio de 2026
20°C 29°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Instalações irregulares em escola contribuíram para choque em jovem enquanto usava celular

Instalações irregulares em escola contribuíram para choque em jovem enquanto usava celular

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
20/08/2018 às 21h19 Atualizada em 20/08/2018 às 21h19
Instalações irregulares em escola contribuíram para choque em jovem enquanto usava celular
Foto: Reprodução
De acordo com o órgão, uma equipe do Núcleo de Perícia de Engenharia Legal e Meio Ambiente, pertencente à Coordenadoria de Perícia Criminal (Copec), fez testes no laboratório de informática onde o jovem sofreu a descarga, bem como realizou perícia nos aparelhos eletrônicos que a vítima utilizou.  Iago estava assistindo à aula, quando colocou o celular para carregar no computador. Quando foi atender a uma chamada, levou uma descarga elétrica. Apesar de ter sido encaminhado ao hospital da cidade, não resistiu ao choque e morreu. 
Os peritos concluíram que "o local onde ocorreu o sinistro (laboratório de informática) apresentava a instalação elétrica com alguns componentes em desacordo com o que recomenda a norma NBR 5410/04 e não possuía DR" - um tipo de interruptor automático, obrigatório por lei, que desliga o circuito elétrico em caso de sobrecarga ou fuga de corrente na instalação. A referida norma determina as condições adequadas para instalações elétricas de baixa tensão, principalmente em prédios. 
Ainda segundo o laudo, foi observada falha de isolamento em alguns pontos da estrutura externa do celular da vítima, "que continha avarias (danos), o que proporcionava a continuidade de corrente elétrica entre a referida estrutura e a referência da porta USB".  Apesar disso, o perito da Pefoce Fernando Viana Queiroz assegurou que o cabo USB não foi o responsável pela morte do jovem, já que ele fornece 5 Volts em média - o que não é suficiente para causar nenhum dano à pessoa.
Iago sofreu duas descargas elétricas. A segunda foi de maior intensidade e durou aproximadamente 18 segundos. "O fechamento do circuito através do seu corpo se deu por meio do celular que se encontrava na mão esquerda e a estrutura da bancada metálica onde a vítima estava em contato através do membro inferior esquerdo", relata o laudo.  
Dessa forma, o corpo do garoto, que estava com os pés apoiados na mesa de metal onde o computador estava, virou uma corrente de eletricidade. "A descarga elétrica ficou circulando pelo corpo do garoto por 18 segundos, até alguém interver e cortar a fonte de energia", explicou Queiroz.
Ainda segundo ele,  a faixa de corrente elétrica que passou pelo corpo do garoto estava entre 50 e 110 mA. "Se a descarga tivesse durado 10 segundos, ele tinha 50% de chances de sobreviver", ressaltou o perito. As irregularidades no colégio iam desde a instalação elétrica à mesa utilizada para apoiar o computador, sendo totalmente de metal, sem nenhum isolamento elétrico .

Homicídio culposo
O diretor do Departamento de Polícia do Interior Norte, Marcos Aurélio Elias de França, disse que a morte de Iago Mendes é caracterizada como um homicídio culposo - quando a morte ocorre em razões de neglicência, imprudência ou imperícia - já que as irregularidades no circuito elétrico do Colégio Santa Maria foram determinantes para o ocorrido. 
"A escola é responsável pelo mal serviço da empresa que instalou a parte elétrica no laboratório, logo ela e outras pessoas podem ser responsabilizadas ao final do inquérito", ressaltou. Ele acrescentou que pode pedir a interdição do colégio.

Diário do Nordeste