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Gêmeas podem voltar para casa até o fim deste mês

Gêmeas podem voltar para casa até o fim deste mês

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
04/12/2018 às 11h22 Atualizada em 04/12/2018 às 11h22
Gêmeas podem voltar para casa até o fim deste mês
Foto: Reprodução
"As meninas continuam surpreendendo. Ainda está em processo de decisão, mas os pais estão pensando em voltar nas próximos semanas", contou ao O POVO o médico cearense Eduardo Jucá. Segundo o neurocirurgião, que acompanha o caso desde o início, a viagem de volta é possível do ponto de vista médico.
Movimentando bem os membros, mexendo no celular, as meninas têm reagido bem a estímulos. "Elas já estão sorrindo, brincando com objetos, sustentado o pescoço - coisa que não faziam antes. A gente estimula e elas respondem. A gargalhada é a melhor resposta desse processo todo".
Até a separação final, em 28 de outubro, o procedimento foi realizado em cinco etapas ao longo deste ano. Antes disso, as meninas viviam unidas pelo topo da cabeça, compartilhando parte do cérebro.
"As funções (cerebrais) estão todas presentes. O que precisa agora é a reabilitação, porque elas passaram dois anos, praticamente, sem poder serem estimuladas, sem se locomover. Se uma criança, que não é siamesa, não for estimulada, ela também teria alentecimento do desenvolvimento", esclarece.
Um fator positivo no caso é a neuroplasticidade, que é a capacidade natural do cérebro de adaptar as funções. "Quando uma área do cérebro tem dificuldade, outra assume. Essa capacidade é mais intensa nas crianças. A fisioterapia, o estímulos, a reabilitação em geral aumenta em muito a intensidade das novas conexões cerebrais".
Para dar continuidade ao processo, que será longo e já se iniciou em Ribeirão Preto, Eduardo explica que há um planejamento para poder oferecer em Fortaleza o que as meninas necessitam: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia. O médico adiantou que algumas opções de hospitais estão sendo estudadas e, como a família reside no distrito de Patacas, em Aquiraz (Região Metropolitana de Fortaleza), a localização poderá determinar a escolha.
Sobre o sucesso do caso, o médico atribui também à "corrente positiva" que  se criou. "As pessoas vêm conversar com a gente. Pessoas que não têm nada a ver e vêm se manifestar. Que se envolveram, torceram junto. Isso deu muita motivação para seguir num dos maiores desafios da medicina brasileira", agradece Jucá.

O POVO Online