Os casos foram observados durante as 280 mil inspeções conduzidas pela empresa nos 185 municípios do Estado ao longo do ano, que resultaram na prisão de 65 pessoas. Em 2017, foram 58 autuações. Na avaliação do gerente de manutenção de Enel, Francisco Queiroz, a média de irregularidade encontradas representa cerca de 20 a 22% do total de vistorias realizadas.
As inspeções baseiam-se em três tipos diferentes. "O primeiro é aquele em que a irregularidade é visualmente perceptível, quando a energia não passa pelo condutor. É a famosa gambiarra, explica Francisco Queiroz. O segundo tipo advém de denúncias feitas pela população.
"Quem tem um amigo ou conhece alguém que tem um consumo alto de energia, mas a conta para pagar é baixa, acaba denunciando". O terceiro e último tipo é gerado a partir do sistema de informática da Enel, que trabalha analisando as oscilações no consumo dos clientes ao longo do tempo. Resultados considerados suspeitos são analisados pela equipe responsável, que indica a necessidade de uma inspeção no local observado.
"Temos um outro modelo que é feito por área geográfica. Determinamos um bairro e colocamos as equipes para ir até lá. Vão no setor comercial, em empresas de médio e pequeno porte, em condomínios de luxo, onde as irregularidades também acontecem bastante", revela o gerente de manutenção.
A prática do furto de energia, porém, nem sempre se classifica de fato como furto perante a lei. Em alguns casos, o ato configura estelionato.
No que diz respeito à segurança, as conexões clandestinas representam um risco para a população por provocar quedas nos condutores de energia, além dos perigos de potenciais choques causados pelo uso inadequado da fiação, por vezes descascada.
Diário do Nordeste