"As construtoras não suportam mais atrasos e se, realmente, nós não tivermos uma sinalização desses pagamentos, as obras vão sofrer atrasos, podendo até comprometer o futuro das empresas", diz Montenegro. Ele diz que o ritmo das obras já foi diminuído e que já começaram a fazer demissões. "Antes você recebia o pagamento em 48 horas ou 72 horas, mas, desde janeiro, não dá para fazer planejamento. Os fornecedores estão em atrasos e temos 16 mil empregos que podem ser perdidos por conta de atrasos. O prejuízo é incalculável".
Ontem (20), o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Henrique Canuto, disse que o menor fluxo de recursos para o programa nos dois primeiros meses do ano se deu por conta de ajustes fiscais e maior austeridade do Governo Federal. Mas que, em março, foi antecipado um repasse de R$ 600 milhões para todo o Brasil.
"Para o Ceará, vai depender das demandas já aprovadas pelo banco e, a partir de abril, a situação já fica melhor", disse o ministro durante visita a Fortaleza para entrega de 1.248 unidades habitacionais do programa.
Montenegro, que se reuniu com o ministro antes da cerimônia de entrega, se disse confiante com a regularização dos repasses. "Segundo ele (Canuto), até a próxima semana ou fim do mês, os pagamentos estarão em dia. Vamos ficar atentos, porque se isso não ocorrer, algumas empresas podem quebrar", disse o presidente do Sinduscon-CE.
Empresários acusam atrasos dos repasses de pagamentos das construtoras do programa MCMV desde janeiro. Governo alega demora por conta do ajuste fiscal e promete resolver situação até o fim do mês.
Diário do Nordeste