A situação é simbólica porque atinge diretamente um dos espaços responsáveis por guardar e, em tese, difundir a memória do Ceará. No equipamento, estão armazenados cerca de 10 mil livros raros e 80 mil edições de jornais que circularam pelo Estado e ajudam a contar a história dos cearenses. Esse conteúdo serve de fonte para pesquisadores, que se veem prejudicados com a inacessibilidade da biblioteca.
Para se ter ideia da importância do equipamento para o Ceará, ele abriga um dos mais importantes acervos de obras raras do País. Entre elas, o site da biblioteca cita as primeiras edições de autores cearenses como Juvenal Galeno, Antonio Sales, Barão de Studart e Tomaz Pompeu de Sousa Brasil. Guarda, ainda, preciosidades como o incunábulo "Éclogas, Bucólicas, Georgicas, Eneida" do poeta Virgilio, publicado em latim arcaico na cidade alemã de Nuremberg no ano de 1492; e o Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro publicado na Inglaterra por Hipólito da Costa, durante os anos de 1808 a 1822.
O prédio, já reformado, tem o acabamento pronto, ar-condicionado, mas não há nenhuma menção aos livros. Por lá, deveriam estar boa parte das obras do Espaço Estação, que abriga provisoriamente o acervo, no Centro de Fortaleza.
No segundo andar, funcionam a seção de obras raras e a hemeroteca. Sem funcionários acompanhando, um visitante analisava jornais armazenados no local, que ainda recebe pesquisadores. O lugar é climatizado e, aparentemente, preserva alguma organização com os jornais arquivados.
Diário do Nordeste