A irregularidade das precipitações, de forma espacial e temporal entre fevereiro e maio, resultou em perda para a safra de grãos. Os fatores que ocasionaram esse cenário estão relacionados com a chuva. Na região Norte (Ibiapaba, Sobral e Baixo Acaraú) os prejuízos foram causados por excesso de precipitações. No Sertão Central, Inhamuns, Centro-Sul e Cariri, por escassez de água.
Frustração
"Se não fossem os veranicos, teríamos uma das maiores safras da história do Ceará", pontua o titular da SDA, De Assis Diniz. A agrônoma da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Gecilda Correia Nunes, que faz o relatório sobre a situação de produção da safra de grãos de sequeiros, descreve a frustração no plantio. "Neste ano, tivemos perda média, até o momento, de 25,84% em relação ao esperado no início do ano", pontuou. Esse indicador pode chegar, após a finalização do relatório, à marca de 30% de perda, se comparado ao prognóstico do início do ano.
A região do Cariri foi uma das que registraram maior índice de perda. Em Brejo Santo, por exemplo, a frustração da safra de milho chega a 87% e de feijão de corda, 65%. Já em Jardim, no extremo Sul do Ceará a média de perda é de 90%. "Tivemos uma perda significativa", observou o gerente regional da Ematerce, José Dias Ferreira. "Foi um desastre".
O presidente da Ematerce, Antônio Amorim, destacou o prejuízo econômico para a região. "No Cariri, que historicamente tem larga produção de grãos, as perdas foram muito elevadas e isso vai impactar a economia local, com menos dinheiro circulando nas cidades", avaliou.
No Médio Jaguaribe, a perda média estimada de grãos é de 10%. Em Alto Santo, chega a 23% a frustração de safra. "A cultura do milho foi a mais afetada", disse João Alves de Menezes, coordenador regional da Ematerce em Jaguaribe.
Nas regiões Jaguaribana e no Centro-Sul cearenses, a maior dificuldade é a escassez de água nos açudes. "Não tivemos recarga nenhuma", disse Menezes. Em Iguatu, a perda média de milho é de 27% e a de feijão 22%, mas em Quixelô é mais elevada: milho chega a 35% e feijão, 27%.
Diário do Nordeste