Desde 2016, não havia registro no estado da doença associada ao vírus Zika. Entre 2015 e 2016, uma epidemia da arbovirose foi observada no Ceará, e esses casos podem representar uma nova manifestação da doença.
As novas possíveis manifestações da doença devem-se ao fato de que, em 2015 e 2016, a infecção foi ampla e teve uma maioria de casos assintomáticos. “O que deve ter acontecido: quase toda a população foi infectada, e houve uma resposta imunológica ao vírus. Depois da epidemia, a tendência foi cair. Mas é óbvio que não quer dizer que não vai acontecer de novo”, ressalta.
O G1 entrou em contato com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) e aguarda a resposta sobre quantos casos prováveis ou em investigação de Zika congênita existem no Ceará, e quais equipamentos são responsáveis por realizar o exame laboratorial.
As crianças de Aratuba e de Fortaleza nasceram, respectivamente, no fim de 2018 e em fevereiro de 2019. A relação com o Zika vírus foi feita após exames clínicos. "Pelo Ministério da Saúde, o paciente é confirmado quando tem exame laboratorial. Daí cria-se um grupo dos prováveis, que a gente sabe que é Zika Congênita, mas não tem mais a chance de confirmar laboratorialmente”, explicou o médico.
Sobre o diagnóstico, André Luiz Santos explicou ainda que “é um grupo que a gente vê a clínica, a radiologia e exclui outras STORCHs [Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes]. Poderia ser Zika, mas tinha sorologia para CMV (Citomegalovírus), que é a causa mais comum de microcefalia infecciosa, e a imagem mostra que é mais CMV".
G1 CE