As dificuldades se alastram para outras cidades de gente humilde que sobrevive do que retira da água. Os problemas afundam ainda mais na carência de dados sobre a área no Ceará, conforme alertam as associações e reconhecem as autoridades. Prova disso é que, das 17 colônias visitadas pelo presidente da Federação dos Pescadores do Estado do Ceará, Nilton Martins, 13 estão desativadas. Ele pretende visitar todas as 75 entidades da categoria até novembro deste ano.
“Queremos verificar in loco qual é a realidade, porque não temos certeza se elas estão funcionando”, explica. Segundo ele, o último trabalho de contagem da Federação ocorreu em 2014, quando o Ceará tinha 38 mil pescadores. Naquele ano, o Governo Federal interrompeu a emissão de novos registros gerais de pesca (RGP). “Nesse tempo, muitos se aposentaram, mas outros fizeram o requerimento do cadastro. Hoje, não temos como mensurar o número”, alerta.
E são os dados a base da elaboração de políticas públicas, como lembra Carlos Alexandre Gomes, engenheiro de pesca e analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Ceará. No Ceará, o especialista elenca 26 municípios que concentram a maioria dos pescadores. Icapuí, Acaraú, Itarema e Trairi lideram no litoral, enquanto Orós, General Sampaio e Canindé despontam no interior.