O navio tinha o nome de SS Rio Grande para se disfarçar de inimigos durante a Segunda Guerra Mundial. O oceanógrafo físico e professor do Labomar Carlos Teixeira foi quem fez a descoberta. Ele conta que a ideia surgiu por conta do aparecimento das manchas de óleo no litoral do Nordeste.
"A gente sabia das caixas, mas nunca tínhamos conseguido desvendar de onde elas vinham. Aí veio a problemática do óleo. Por coincidência, ou não, a ocorrência desse óleo está acontecendo na mesma época do ano em que as caixas começaram a aparecer no ano passado", relata.
As manchas de óleo e o aparecimento das caixas, no entanto, foi descartada pela Petrobras e pelos pesquisadores devido às manchas se tratarem de petróleo cru relativamente recente. "Para ter relação o óleo teria que ser muito velho. O naufrágio foi em 1941, há 78 anos atrás", diz Teixeira.
Curiosidade
Juntamente com o também oceanógrafo e professor do Labomar, Luís Ernesto Bezerra, uma pesquisa histórica foi feita e chegou até o fato do afundamento do navio. O naufrágio se deu, segundo os levantamentos, entre 1º e 4 de janeiro.
"Eu encontrei uma caixa em Itarema [Interior do Ceará], que tinha uma inscrição pertecente à Indonésia Francesa, que ficou independente em 1953, ou seja, é muito antiga. Então começamos a pesquisas e encontramos confirmações desse naufrágio", comenta Luís Ernesto.
A descoberta dos destroços da embarcação, porém, só aconteceu mais de 50 anos depois, em 1996.
Mistério
As caixas despertaram a curiosidade do cearense e passou a ser um grande mistério. A Polícia Federal e o Ibama chegaram a investigar o fato na época. Cerca de 200 caixas foram encontradas. Segundo o professor Luís Ernesto, elas "demoraram" para aparecer nas praias devido um processo que ocorre com navios naufragados. "Navios naufragados começam a sofrer corrosão, então décadas depois começam a vazar as suas cargas. E por ter acontecido no Oceano Atlântico perto do Nordeste elas chegaram até aqui", pondera.
Diário do Nordeste