Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), Emanuel Mota, os cearenses não têm uma cultura de manutenção dos prédios. Ele afirma que a inspeção predial tem de ser feita de forma frequente. "Se for feita de forma aleatória, posso estar jogando dinheiro fora". Emanuel explica que Fortaleza teve um boom imobiliário nos anos 1980 e que a maioria dos imóveis construídos na época já estão chegando ao fim da vida útil por falta de manutenções.
Emanuel relata que o conselho recebeu cerca de 70% do número de denúncias sobre prédios em situação de risco que costumam registrar durante o ano inteiro em poucos dias após o desabamento do Andréa. A população, segundo ele, não sabe como agir ou qual autoridade procurar quando percebe alguma falha. É preciso contratar um profissional registrado pelo Crea para analisar o imóvel e gerar um Laudo de Vistoria Técnica. Depois disso, o documento deve ser registrado pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) e assim o Certificado de Inspeção Predial (CIP) será expedido.
Desde o desabamento, a Defesa Civil recebeu mais de 500 chamados via Ciops sobre prédios em situação de risco estrutural. No entanto, o órgão explica que as vistorias realizadas não dispensam a necessidade da inspeção predial, que só pode ser realizada por engenheiro civil habilitado. A função da Defesa Civil é retirar pessoas de situações como desabamentos, alagamentos, inundações, solapamentos, ou risco dessas ocorrências.
O POVO Online