A maioria dos municípios cearenses enfrenta problemas no abate da carne bovina, suína, ovina e caprina. Hoje, são 99 equipamentos desativados, conforme dados do CRMV. "O número de abatedouros interditados é muito elevado", considerou o presidente do Conselho de Medicina, Célio Pires. Sua preocupação diz respeito à sanidade dos animais abatidos e a saúde dos consumidores. "Sabemos que nas cidades em que os abatedouros estão fechados, há carne de moita. Ela é vendida livremente e isso é um grave risco à população", frisou.
De acordo com as normas sanitárias, o abate do animal e o manuseio da carne devem ser feitos sem nenhum contato com o solo. No processo, o animal deve ser colocado em um box de atordoamento, onde será sacrificado utilizando uma pistola pneumática. Em seguida, o corpo do animal é guinchado pela perna, através de trilhos aéreos, por meio dos quais é levado ao tanque de sangria. Todo o manuseio deve ser realizado a um metro do chão. Quem realiza o corte deve estar com todos os equipamentos de proteção, de modo a não ter contato direto com a carne, garantindo a qualidade do alimento.
No entanto, dos 184 municípios cearenses, apenas 43 dispõem de locais regulares e que contemplam as exigências legais e sanitárias. Deste universo, dez funcionam por exploração de iniciativa privada a partir de concessão dos municípios, nove são particulares e os demais são administrados pela gestão municipal.
De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária, o consumidor que se alimenta de carnes abatidas em locais que não seguem as normas da vigilância sanitária, conhecidas popularmente como "carne de moita", corre o risco de adquirir aproximadamente 200 doenças que podem ser transmitidas dos alimentos ao homem, através da ingestão de toxinas, bactérias e vírus. Nesses locais impróprios - e sem registros -, há péssimas condições de higiene, onde os animais são muitas vezes cortados em mesas ou no chão, em contato direto com quem faz o trabalho, em meio a estruturas precárias e sujas.
Diário do Nordeste