"A gente via as colunas soltando o reboco, umas rachaduras, os ferros das vigas enferrujados. Desgastes mesmo na estrutura. Mas ninguém nunca imaginou que seria possível acontecer algo mais grave. Mas quando saíram aqueles vídeos, quando o Andrea desabou, acordamos, né? Tava muito parecido com a situação daqui, todo mundo se desesperou", declara o morador, preferindo não se identificar para não expor o condomínio - que data dos anos 1980, e nunca havia passado por inspeção predial até outubro.
O alerta foi geral, e os chamados dos fortalezenses pela Defesa Civil da Capital se multiplicaram expressivamente, se comparados a igual período do ano passado. Em outubro de 2018, foram registradas 42 ocorrências por risco de desabamento - em igual mês deste ano, o total foi de 715 - ou 17 vezes mais.
O presidente do Conselho Regional de Engenharia do Ceará (Crea), Emanuel Mota, avalia que a busca recente dos fortalezenses pela inspeção predial "mostra que o ser humano acaba sendo movido a tragédias, e que elas motivam soluções". O alerta, então, está aceso em definitivo. "Quando você adquire um imóvel, está com a cabeça na compra e esquece de que, como num carro ou na própria saúde, é preciso manutenção constante. O imóvel, mesmo com vazamento e rachadura, continua sendo útil, então negligenciamos. Mas está cada vez mais claro que esses são avisos de que a estrutura pode colapsar", frisa o presidente.