Sobrecarregado, maior pronto-socorro de Manaus fecha as portas para pacientes e aciona PM
Sobrecarregado, maior pronto-socorro de Manaus fecha as portas para pacientes e aciona PM
Por: Thiago Rodrigues
15/01/2021 às 18h20Atualizada em 15/01/2021 às 18h20
Foto: Reprodução
"Há pessoas morrendo na maca da ambulância porque não tem como entrar no hospital. Estamos aqui para atender e sofremos também", disse o médico José Francisco dos Santos, supervisor de cirurgia no hospital há 35 anos. "A Polícia Militar está em frente à maioria dos hospitais para tentar manter a ordem e evitar a invasão. Estão achando que é o médico que não está deixando entrar. Não é verdade. O médico está lá dentro tentando manter os pacientes vivos. A má gestão da saúde do Estado é que deixou chegar a esse ponto", acrescentou.
A unidade possui 52 leitos de UTI e todos estão ocupados. São ao menos cem pacientes, entre enfermaria e unidade de tratamento intensivo, com necessidade de oxigenação. De acordo com Santos, a situação de calamidade é semelhante em muitos outros hospitais públicos e particulares. No 28 de Agosto, chegou uma nova remessa de oxigênio, mas é insuficiente para manter o fluxo do local na normalidade.
"Temos pedidos de cirurgia de urgência para pacientes que complicaram por covid. Mas temos que esperar o oxigênio chegar para poder botar o paciente na sala. O oxigênio é fundamental para manter um hospital em funcionamento."
Santos contou que há médicos que estão optando pela solução de diminuir fluxo de oxigênio para todos e assim atender mais doentes e evitar a morte por asfixia. "É uma medida de emergência, mas que também tem consequências. Os pacientes ficarão com sequelas pois permanecerão por muito tempo com fluxo baixo de oxigênio. Continuamos em pé de guerra."