Maria Araújo nasceu em Agricolândia, no mesmo estado, em 1906, 12 anos antes da pandemia causada pelo vírus H1N1, que deixou mais de 50 milhões de vítimas entre 1918 e 1920. De acordo com Deuzeline Araújo, de 66 anos, neta da idosa vacinada, a avó ainda era criança e não recorda mais os tempos da pandemia ocorrida no século XX. "Ela era mocinha, do interior, e lá não tinha essas coisas. Talvez tenha pegado uma gripe, mas passou", brincou.
Atualmente, Maria é cega e não consegue andar em razão da idade avançada, mas não tem nenhuma comorbidade. Ela tem 21 netos, 47 bisnetos, 24 trinetos e dois tetranetos.
Com a aplicação da vacina em dona Maria, as duas netas, que revezam entre si os cuidados da idosa, sentiram-se aliviadas e felizes. "Eu sei que também tenho idade avançada, mas a minha prioridade é vacinar a vovó", afirmou Deuzeline, cuja família já foi infectada pelo novo coronavírus. A neta Cleide testou positivo para a doença e teve de passar 32 dias afastadas da avó e da mãe, Margarida, de 86 anos, filha de Maria.
Cleide Araújo, de 50 anos, irmã de Deuzeline e neta de dona Maria, atribui a longevidade da mulher à boa alimentação. "Acho que ela comeu muita comida saudável, muita coisa orgânica durante a vida. Não essa alimentação industrializada que temos hoje. Então, o segredo dela é esse: ela gostava muito de feijão", ressaltou.
G1