O número de pessoas com sintomas de ansiedade, depressão e insônia praticamente dobrou durante o período de quarentena em território verde-amarelo. Mas, o que os estudos mostram é que o Brasil já era o país mais ansioso do mundo antes da pandemia — 8,6 milhões de brasileiros convivem com esse transtorno, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por ser uma situação de crise, a pandemia tem essa característica de impulsionar alterações de humor do ponto de vista psíquico, como os transtornos ansiosos e depressivos, como explica o psiquiatra Alisson Marques. “Nessas situações, há uma maior vulnerabilidade percebida pelo indivíduo”, diz o médico do Núcleo de Saúde Mental do SAMU e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
O início da imunização pode trazer, a curto prazo, uma sensação de tranquilidade, de acordo com o psiquiatra Alisson Marques. “Afinal, a ansiedade é, principalmente, um medo do desconhecido e da vulnerabilidade”, explica. A distribuição das primeiras doses é a representação de um caminho e um pouco de segurança em tempos tão incertos.
Então, como se preparar para os dias de isolamento que vêm pela frente? O primeiro passo, segundo Alisson Marques, é se apegar à possibilidade real e concreta da existência de um imunizante. Também é essencial ver o quanto o processo foi mais rápido do que em anos anteriores e enxergar o futuro com otimismo.
Em abril e maio, o termo “insônia” foi o mais pesquisado no Google. Além disso, as vendas de calmantes, antidepressivos e estabilizadores de humor aumentaram, em média, 80%. Para tentar acalmar os incômodos com as incertezas no futuro, os especialistas elencaram atitudes saudáveis.
“Precisamos manter sempre a esperança, a crença na ciência e no quanto o ser humano tem o potencial de se reinventar e achar respostas pras dificuldades. Porém, também acreditar na importância da gente se cuidar pelo outro e reafirmar o nosso sentido de responsabilidade”, reitera a psicóloga Larissa Polejack.
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