Durante o vídeo, William repete inúmeras vezes que na certidão de óbito da vítima não consta morte por Covid-19, e sim por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG, ou SARS na sigla em inglês). Após romper o lacre e abrir a tampa do féretro, o vereador, inclusive, reclama da falta de adornos e de um funeral digno. “Não tem nem uma flor aqui, não tem nem uma flor aqui de respeito ao cidadão”, aponta na gravação.
A vítima, internada no hospital Irmã Denise (Casu), no município de Caratinga, vizinho à Santa Bárbara do Leste, realizou dois testes para confirmar a infecção por coronavírus, conforme a família contou ao jornal Estado de Minas. O primeiro exame, o teste rápido, deu negativo. A vítima, contudo, veio a óbito antes do resultado do segundo teste, o RT-PCR, ser conhecido. Por ter os sintomas da infecção por Covid-19, foram adotados os procedimentos padrões para esta situação, o que inclui lacrar o caixão.
A SRAG, identificada como causa da morte da vítima, pode ser causada por uma série de microorganismos, entre eles, a Covid-19. Portanto, o que o resultado do teste deve identificar é se o coronavírus foi o causador da síndrome respiratória. Conforme o Ministério Público e a Polícia Civil, como havia suspeita da infecção, as autoridades sanitárias agiram corretamente ao pôr o lacre no ataúde.
Após a repercussão do vídeo, a Polícia Civil abriu uma investigação contra o vereador William Faria por crime de Infração de Medida Sanitária Preventiva, baseada no artigo 268 do Código Penal. Em nota, a Prefeitura de Santa Bárbara do Leste lamentou a atitude do parlamentar, que chegou a convocar uma agente da Vigilância Sanitária do município para assistir a ação, no que a servidora “ficou sem ação”.
A administração também destacou que os protocolos deste gênero são estabelecidos pelo estado, e não pelos municípios. O presidente da Câmara Municipal de Santa Bárbara do Leste, Altair Nunes Ferreira (MDB), chamou o ocorrido de “evento lamentável” e afirmou que William Faria será ouvido em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Além do afastamento, o PT-MG informou que William responderá no Conselho de Ética "em um processo que poderá culminar com a sua expulsão" do partido.
O Povo