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Vereador será investigado após abrir caixão para "provar" que vítima não morreu de Covid

Vereador será investigado após abrir caixão para "provar" que vítima não morreu de Covid

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
27/04/2021 às 15h55 Atualizada em 27/04/2021 às 20h01
Vereador será investigado após abrir caixão para
Foto: Reprodução

Durante o vídeo, William repete inúmeras vezes que na certidão de óbito da vítima não consta morte por Covid-19, e sim por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG, ou SARS na sigla em inglês). Após romper o lacre e abrir a tampa do féretro, o vereador, inclusive, reclama da falta de adornos e de um funeral digno. “Não tem nem uma flor aqui, não tem nem uma flor aqui de respeito ao cidadão”, aponta na gravação.


A vítima, internada no hospital Irmã Denise (Casu), no município de Caratinga, vizinho à Santa Bárbara do Leste, realizou dois testes para confirmar a infecção por coronavírus, conforme a família contou ao jornal Estado de Minas. O primeiro exame, o teste rápido, deu negativo. A vítima, contudo, veio a óbito antes do resultado do segundo teste, o RT-PCR, ser conhecido. Por ter os sintomas da infecção por Covid-19, foram adotados os procedimentos padrões para esta situação, o que inclui lacrar o caixão.

A SRAG, identificada como causa da morte da vítima, pode ser causada por uma série de microorganismos, entre eles, a Covid-19. Portanto, o que o resultado do teste deve identificar é se o coronavírus foi o causador da síndrome respiratória. Conforme o Ministério Público e a Polícia Civil, como havia suspeita da infecção, as autoridades sanitárias agiram corretamente ao pôr o lacre no ataúde.

Após a repercussão do vídeo, a Polícia Civil abriu uma investigação contra o vereador William Faria por crime de Infração de Medida Sanitária Preventiva, baseada no artigo 268 do Código Penal. Em nota, a Prefeitura de Santa Bárbara do Leste lamentou a atitude do parlamentar, que chegou a convocar uma agente da Vigilância Sanitária do município para assistir a ação, no que a servidora “ficou sem ação”.

A administração também destacou que os protocolos deste gênero são estabelecidos pelo estado, e não pelos municípios. O presidente da Câmara Municipal de Santa Bárbara do Leste, Altair Nunes Ferreira (MDB), chamou o ocorrido de “evento lamentável” e afirmou que William Faria será ouvido em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Além do afastamento, o PT-MG informou que William responderá no Conselho de Ética "em um processo que poderá culminar com a sua expulsão" do partido.

O Povo