Atualmente, a vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, é a responsável por cerca de 80% das pessoas vacinadas no Brasil — o próprio Guedes tomou a vacina. O restante das vacinas aplicadas no Brasil são imunizantes desenvolvidos pela parceria entre o laboratório Astrazeneca e a Universidade de Oxford.
Por razões ideológicas, o presidente Jair Bolsonaro e aliados lançaram suspeição sobre a eficiência da CoronaVac. Bolsonaro chegou a vetar a aquisição da CoronaVac. "Da China nós não compraremos. É decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso", disse Bolsonaro em outubro do ano passado. Depois, sem opções de outras vacinas, cedeu.
"O chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva do que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então, os caras falam: 'Qual é o vírus? É esse? Tá bom, decodifica'. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras", declarou Paulo Guedes, durante reunião do Conselho de Saúde Complementar.
As vacinas da Pfizer ainda não foram aplicadas no Brasil. Em agosto do ano passado, o governo não aceitou oferta de 70 milhões de doses da Pfizer para entrega até dezembro. Somente em março deste ano, anunciou a compra de 100 milhões de doses de vacinas da Pfizer, com prazo de entrega em duas parcelas até setembro. Segundo o ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten, o atraso foi motivado por "incompetência".
Guedes não sabia que a reunião do conselho estava sendo gravada e transmitida por redes sociais. Quando foi informado, disse: "Não mandem para o ar". Após a reunião, o Ministério da Saúde retirou o vídeo da página da rede social da pasta. No fim de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou relatório sobre a origem do coronavírus, que deixa em aberto uma das principais incógnitas dessa pandemia: como o vírus surgiu e como atingiu os humanos.
Embora os primeiros casos de contaminação pelo coronavírus tenham aparecido primeiro na China, o estudo considerou que é "extremamente improvável" que tenha atingido os humanos devido a um incidente em laboratório, conforme suspeitas levantadas em 2019. As hipóteses mais prováveis, diz o documento da ONS, são: é "possível ou provável" que a origem tenha sido contágio direto de animal para humano; é "provável ou muito provável" que tenha existido um animal intermediário entre um animal infectado e o homem; é "possível" que o vírus tenha atingido os humanos por meio de produtos alimentícios.
Portal G1