Quarta, 17 de Junho de 2026
19°C 34°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Marcha da Maconha reúne manifestantes no Ceará para pedir legalização da droga

Marcha da Maconha reúne manifestantes no Ceará para pedir legalização da droga

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
30/05/2022 às 10h54 Atualizada em 30/05/2022 às 10h54
Marcha da Maconha reúne manifestantes no Ceará para pedir legalização da droga
Foto: Reprodução

“A gente está denunciando toda essa política de morte, tanto do governo quanto da polícia, que nos oprime, que mata a população e que está acabando com nossa juventude ao longo desses anos”, afirma Stefany Tavares, membro da organização do evento. Stefany lembrou de episódios recentes de violência policial pelo Brasil, como a chacina no Rio de Janeiro, que deixou mais de 20 mortos, e o assassinato de Genivaldo Santos, homem negro morto por agentes da Polícia Rodoviária Federal em Sergipe.

Os manifestantes também entoaram gritos contra o presidente Jair Bolsonaro. Alguns estavam fantasiados com o tema da marcha, com desenhos de folhas de maconha, e outros levaram cigarros falsos gigantes para representar o cigarro feito com a planta.

Stefany conta que a marcha reúne pessoas diversas, de jovens a idosos. A síndica Rita de Cássia Farias, de 55 anos, acompanhou o filho na marcha e acredita que a legalização pode trazer benefícios para a saúde. Rita faz uso de óleo de cannabis e defende mais acesso à substância. “Depois dessa pandemia, a gente ficou com sequelas não só financeiras, mas psicológicas. O óleo da cannabis veio ajudar a reestabelecer a minha vida”, conta.

O bancário Dyego Aquino, 30, afirma que a descriminalização pode ajudar as pessoas a descobrirem mais finalidades para a maconha. “As pessoas podem entender que a maconha não é aquele tablete apresentado nos jornais policiais durante as reportagens de apreensão. É uma planta, a flor serve para diversos fins medicinais”, explica Rodyane Silva, 34, especialista em TI que também participava da marcha.

“Se fosse legalizado, a gente iria comprar tranquilamente, sem ter a opressão nem da polícia nem dos bandidos”, afirma Priscila Menezes do Nascimento, 28. A faxineira conta que comprar maconha ainda é perigoso para ela, devido ao tráfico de drogas e às abordagens policiais violentas que acontecem na periferia onde mora.

Assim como Priscila, a designer de cílios e unhas Vanille da Silva Paula, 19, também frequenta a marcha há anos pedindo pela legalização. “Todos os anos eu venho defender nosso direito de maconheiro. Quero muito que legalize para ficar mais acessível pra todo mundo, ficar menos arriscado e gerar empregos”, disse a jovem.

Para o psiquiatra Rafael Baquit, presente na marcha como representante da Associação Psicodélica do Brasil (APB), a luta do movimento também é por mudanças na política de drogas do País. “Nós temos uma política de drogas muito nociva, que promove o genocidio de populações vulneráveis e o encarceramento em massa. Essa marcha já acontece há quase 15 anos, não é só pelo direito de fumar maconha, é pela necessidade de se mudar a política de drogas, se atentar para questões estruturais no país, de raça, de gênero e de classe”, afirma. 

O povo