"Está ameaçado o nosso projeto hoje. Hoje está ameaçado por uma coisa muito ruim, bolsonarista, um capitão (Wagner) que liderou um motim e tal, e porque o Lula é tão irresponsável que tá lá se acertando com o Eunício (Oliveira, ex-senador) não sei o que e tal, e já pegou o governador de lá (Camilo Santana), já prometeu que vai ser ministro, que era nosso aliado, ou é nosso aliado, ainda não sei direito como é que vai desdobrar isso lá", afirmou o ex-ministro, em entrevista ao podcast "Avesso", colocando em dúvida se Camilo caminha politicamente ao seu lado no Ceará.
Os dois líderes políticos estão em lados diferentes quando o assunto é a preferência pela candidatura que representará o governismo. Camilo é defensor da governadora Izolda Cela (PDT). Ciro é o principal entusiasta de uma candidatura de Roberto Cláudio (PDT), ex-prefeito de Fortaleza.
Após a fala de Ciro, Camilo, pela primeira vez, defendeu abertamente que a atual governadora deve disputar a reeleição, o que ele definiu como uma questão de justiça.
"Na vida pública, sempre busquei ser justo e leal. Meus irmãos e irmãs cearenses são testemunhas da minha história. Defender que seja dado à governadora Izolda Cela, do PDT, o direito a buscar a reeleição, por sua seriedade e competência, é questão de justiça. Não irei contra os meus princípios. Seguirei agindo como sempre fiz, com diálogo e respeito, acreditando no poder do bem e na força da verdade", publicou Camilo.
A desavença tem como pano de fundo mais recente a pesquisa encomendada pelo PDT à Quaest, na qual Roberto Cláudio marca 10 pontos à frente de Izolda em simulações com Capitão Wagner, pré-candidato do União Brasil.
Seis partidos publicaram manifesto em que defendem que a pesquisa não seja tomada como critério definidor sobre quem será a candidatura do PDT. Izolda agrega mais partidos em seu entorno, como o PT, o PP e o MDB.
Para a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman, Ciro ofendeu Camilo ao sugerir que ele trocaria um apoio por um cargo. A dirigente afirmou que Ciro "precisa parar de culpar Lula por problemas de sua candidatura, inclusive no Ceará", após pesquisa Quaest em que aparece em terceiro lugar na própria terra, atrás de Lula e Bolsonaro.
Nos bastidores, o discurso médio dos filiados ao PT é de que o melhor interlocutor do PDT é o senador Cid Gomes (PDT), capaz de pacificar o ambiente no momento em que ele se releva mais tenso e de difícil resolução.
Uma das cotadas do PT para o caso de candidatura própria, a vereadora Larissa Gaspar (PT) afirmou que o partido tem de apresentar nome das próprias fileiras - "com a força de Lula e Camilo" - no caso de Izolda Cela ser preterida, a despeito de agregar a maioria dos partidos da base aliada.
No lado dos que são mais próximos a Ciro, também é intenso o volume de postagens que direcionam artilharia contra Camilo. Antes mesmo das declarações do ex-ministro, o deputado federal e ex-prefeito de Sobral Leônidas Cristino (PDT) publicou uma mensagem que versa sobre gratidão. "Se alguém se senta à sombra hoje, é porque alguém plantou uma árvore tempos atrás", escreveu o aliado de Ciro, de modo a evidenciar o desconforto que logo seria exposto pelo próprio pré-candidato a presidente do PDT.
O Povo