Em 2018, o plano de governo bolsonarista tinha 81 páginas e foi intitulado de “O caminho da prosperidade”. Neste ano, o documento entregue ao TSE contém 48 páginas e tem como nome “Pelo bem do Brasil”.
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2018
Com a promessa de ser “constitucional, eficiente e fraterno”, o plano de governo sugerido por Bolsonaro na última eleição presidencial foi baseado em pautas conservadoras e no enfrentamento à corrupção. O documento trazia diversas críticas aos governo anteriores, principalmente os chefiados pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
“Antes do governo Bolsonaro, o modelo de gestão implantado no Brasil favoreceu a proliferação da pobreza, ao mesmo tempo que impediu a implementação de um desenvolvimento econômico seguro, próspero e sustentável a longo prazo”, dizia a introdução do plano.
Outra característica presente em 2018 e repetida agora é o enredo da liberdade, com a sugestão de que existe um perigo iminente que supostamente arrisca a liberdade comum e a individual dos brasileiros. “O Brasil livre do crime, da corrupção e de ideologias perversas, haverá estabilidade, riqueza e oportunidades para todos tentarem buscar a felicidade da forma que acharem melhor”, ressaltava o programa.
O programa trazia a defesa da redução da maioridade penal, da legítima defesa (intensificação do armamento), do excludente de ilicitude e, da tipificação de invasões de terra como terrorismo. No atual plano, entretanto, o último assunto quase não foi mencionado.
Outro assunto mencionado em diversos trechos do programa são as chamadas “ideologias”. Dentre outras propostas, Bolsonaro sugeria eliminar ideologias de “esquerda” que, segundo ele, tentavam “manchar” a imagem das Forças Armadas, que são “o último obstáculo para o socialismo”.
Em 2018, Bolsonaro manifestava o interesse em reduzir a quantidade de ministérios do governo federal, que à época totalizavam 29. Isso foi feito. Em 2019, ele começou o mandato com 22 e deve terminar este ano com 23. Na proposta deste ano, o presidente não faz mais menção à quantidade de pastas.
2022
Já em 2022, o plano de governo intitulado como “Pelo bem do Brasil – 2024/2026” enfatiza, de forma bem visível, o período em que será colocado em prática, caso Jair Bolsonaro vença o pleito de outubro.
Logo no início do planejamento, o presidente considera que a pandemia da Covid-19 e o conflito entre Rússia e Ucrânia são “novas exigências” dos contextos nacional e global. Com base na Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD), o candidato à reeleição apresenta propostas informacionais, de governança e de valores conservadores.
Pauta frequentemente repetida ao longo do governo, os auxílios sociais também ocuparam grande parte do novo programa. Um dos feitos de Bolsonaro durante o governo, o Auxílio Brasil – antes chamado de Bolsa Família – foi, e ainda é, uma das armas que o chefe do Executivo utiliza como argumento para dizer que a gestão teve adversidades em virtude da pandemia da Covid-19, mas ofereceu aos mais vulneráveis uma ajuda financeira.
Além do Auxílio Brasil, outro ponto enfatizado é a preocupação com fertilizantes, que atualmente são importados principalmente da Rússia, dado o baixo volume de produção nacional. No plano, o presidente sugere aumentar a produção dos insumos no Brasil. O produto é citado como um dos principais fatores da crise econômica e, consequentemente, dos aumentos sucessivos nos valores dos alimentos, pela inflação.
Mudanças por causa da pandemia e da guerra existem, mas o conservadorismo se manteve como ponto de contato com os eleitores no plano de 2022. O posicionamento, já era a tônica de Bolsonaro desde a campanha à eleição, em 2018. Esse é, inclusive, o principal motivo de o presidente ser – de acordo com as pesquisas eleitorais – apoiado pela maioria dos cristãos e católicos.
Se baseando na “liberdade”, Bolsonaro apresenta os “valores e princípios centrais do plano de governo”.
Metrópoles