O jovem nasceu com microcefalia e mielomeningocele. A família mora em Vianópolis, no interior de Goiânia, a 79 km de Anápolis, cidade onde mãe e filho estudaram.
Apesar da ideia de ambos estudarem juntos ter partido de Hiury, Psicologia já era uma sonho antigo de Eliana. Em 2010, a mulher chegou a ingressar no curso, mas só conseguiu completar três semestres.
“Foi muito importante o apoio dela. Eu tenho algumas limitações, então acho que sozinho eu não conseguiria. Sou muito grato a ela”, disse Hiury, em entrevista ao G1 Goiás.
Segundo a mãe, Hiury sempre foi bom aluno. Ela conta, inclusive, que as notas dele durante o curso eram quase sempre maiores que as dela. “Para ele, tirar 9 não era suficiente. Tinha que ser 10”, relembra.
Rotina cansativa
Eliana conta que, com receio da adaptação, mãe e filho fizeram um teste no início da faculdade durante 15 dias com a nova rotina. Isso porque, para estudar, eles precisavam fazer uma viagem de cerca de quatro horas, ida e volta, de Vianópolis a Anápolis. A distância foi um dos maiores obstáculos para os dois.
“Estudávamos à noite, foram mais de três anos indo e voltando, já que os dois últimos anos foram online. Saíamos às 17 horas e chegávamos em casa meia-noite”, explica Eliana.
A mulher conta que chegou a cogitar se mudar para Anápolis para facilitar a rotina de estudos. No entanto, como o marido possuía uma barbearia em Vianópolis, ele teria que permanecer na cidade.
Além disso, Eliana conta que Hiury não gostou da ideia de a família ser "separada".
Estudos na pandemia
O período de Pandemia também foi um fator que dificultou os estudos dos dois. Segundo Eliana, esse foi o único momento momento em que o filho pareceu frustrado, pois que ele gostava de ir para a faculdade.
“Ele entrou em depressão e queria parar a faculdade, mas eu não deixei. Continuamos juntos. Companheiro é companheiro”, relatou. Eliana ressaltou a importância do apoio da família, dos colegas da faculdade e até dos motoristas de ônibus que a ajudavam.
Superação
Hiury foi diagnosticado com microcefalia e mielomeningocele, doenças que causam acúmulo de líquido nas cavidades internas do cérebro e defeitos na coluna vertebral e na medula espinhal.
A mãe do jovem explica que, com apenas um dia de vida, ele fez duas cirurgias. Ele também chegou a passar cerca de 14 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), quando ainda era recém-nascido.
“Os médicos diziam que ele não iria sobreviver, mas eu nunca me abalei. Sempre tive fé”, explica Eliana. Ao longo da vida, Hiury chegou a passar por um total de oito procedimentos cirúrgicos.
A mãe ainda explica que o filho perdeu a visão aos 8 anos de idade, devido a um erro médico. Os obstáculos não foram suficientes para parar a dupla.
Com a formatura, ambos já estão montando o próprio consultório para iniciarem atendimentos psicológicos. Hiury ainda planeja fazer uma pós-graduação em Psicologia Esportiva.
O povo