Quando a vitória do então candidato Lula se tornou uma possibilidade real na última reta da campanha presidencial de 2002, o mercado financeiro entrou em pânico. A campanha do petista tratou de acalmar os megaempresários divulgando a “Carta ao Povo Brasileiro”, que dava garantias de que Lula não mexeria nas regras econômicas implantadas por Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor.Para falar a mesma língua que o empresariado, o já eleito presidente colocou até um ex-tucano para comandar o Banco Central. Henrique Meirelles cuidou de tudo. Foi rígido com as metas de inflação e reduziu os juros a conta-gotas.Mas enquanto “os empresários ganhavam dinheiro como em nenhum outro governo” – nas palavras do próprio Lula -, uma transformação interna entrava em curso: a criação de novos programas sociais, a reformulação dos antigos, o aumento do crédito à população e a valorização de 45% do salário mínimo. Essas medidas reaqueceram a economia e ajudaram a gerar 15 milhões de empregos. Era dinheiro vivo entrando no bolso de uma massa de pobres que pela primeira vez se matriculou na universidade e financiou um carro zero. (Nem KI Lask/AVSQ).