A artista retornou a Fortaleza na sexta-feira (21), onde apresentou seu projeto autoral no Centro Cultural do Banco do Nordeste (CCBNB).
A cantora natural do distrito de Cristais, em Cascavel, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), precisou encarar alguns desafios e se mudar para São Paulo antes de voltar ao Ceará.
'Raízes' é baseado no álbum de estreia de Aydê, lançado em janeiro deste ano, que conta sua trajetória de vida. Ela mora em São Paulo há cinco anos.
“Cantar sempre foi meu sonho, desde criança, mas sempre trabalhei com outras coisas. Fui vendedora de lingerie, trabalhei em lojas de operadoras de telefone, cuidei de criança, fui corretora de imóveis. Mas, sempre estava fazendo música também", contou ao g1.
À procura de oportunidades
A cidade de Aydê, Cascavel, chegou a 72.626 pessoas conforme o Censo de 2022. No entanto, a realidade do distrito onde a artista morava era bem diferente. Sem energia elétrica até os 12 anos de idade, ela se via “sem muitas oportunidades”, especialmente por ser um lugar pequeno, que já estava acostumado a exportar talentos.
“Sonhar parecia coisa de outro mundo. Eu estudava à luz de lamparina. Na TV, via Sandy & Júnior e ficava brincando. Minha irmã era o Júnior e eu era a Sandy. Cantava muito na calçada e pegava nos matinhos como se tivesse pegando nas mãos das pessoas ”, relembrou, aos risos.
Ao som de muito Luiz Gonzaga, que até hoje inspira seu show, e carregada pela musicalidade da avó Chiquinha, Aydê não desistiu de cantar. Mudou-se para outras cidades do Ceará tentando realizar o sonho, mas foi na oportunidade de morar em São Paulo que viu uma nova luz.
“Conheci na internet o meu esposo (que já morava em São Paulo). A gente começou a conversar, ele gostou do que eu cantava. Começamos a namorar a distância. A gente casou e eu fui embora. Entrei em uma escola de canto. Nessa época, eu estudava de manhã e trabalhava em um shopping durante a tarde”, descreveu.
Hoje em dia, a cantora está circulando por São Paulo com um projeto de Festas Juninas, o ‘Arraiá da Aydê’, além de apresentar o novo álbum. A avó Chiquinha, inclusive, ganhou uma homenagem nesse mais trabalho mais recente: a música ‘Casa de Vó’ foi escrita pelo seu irmão e reinterpretada.
No show da sexta-feira, inclusive, a emoção de cantar para a família tomou conta da cantora em diversos momentos do show.
"A vó Chiquinha sempre participava das coisas da igreja. Tudo que era a ação, ela estava cantando e eu acabava cantando ao escutar ela. Ela cantava Luiz Gonzaga para mim e para os meus irmãos para que a gente pudesse dormir. É minha primeira referência de voz. O show foi emocionante. Na primeira música, Raízes, que abriu, olhei para minha mãe e ela estava chorando. Minha voz começou a dar aquela embargada”, relatou.
Nova MPB com música de raiz
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| Foto: Reprodução |
Aydê, além de cantora e compositora cearense, é produtora cultural pelo Senac Lapa Scipião/SP e bacharel em Canto Popular pela Faculdade FMU/FIAM-FAAM.
Em carreira solo desde 2018 e radicada em São Paulo, Aydê foi indicada, em 2020 e 2022, ao Prêmio Profissionais da Música (PPM), sendo finalista em três categorias.
O álbum ‘Raízes’, ao todo, tem nove faixas, sendo quatro inéditas e um remix. Na sua música, Aydê diz que cria sua nova MPB (Música Popular Brasileira), cruzando os clássicos da música brasileira, em especial, da nordestina, como baião, xote e forró. E ainda há espaço para nuances da música pop.
“No meu show, você vai conseguir dançar, mas vai ter aquela música mais reflexiva, que mexe com os sentimentos. Gosto de trazer alegria, mas gosto que as pessoas se emocionem. Quero falar sobre o Nordeste, cantar o Nordeste, cantar o Ceará", comentou.
G1-CE