
O Ceará registrou 4.119 casos de acidentes por escorpiões apenas entre janeiro e 6 de setembro deste ano, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), repassados ao OPINIÃO CE. Em 2022, o total de casos chegou a 6.448, 1.155 a mais do que no ano anterior (2021), quando o Estado observou 5.293 acidentes pelo animal peçonhento. Entre os meses de agosto e setembro, período de reprodução da espécie, os cuidados precisam ser redobrados.
No período, as fêmeas apresentam um aumento na concentração de veneno e procuram a superfície para se reproduzirem, potencializando as chances de casos mais graves.
Por conta disso, a orientação da rede estadual de Saúde é que os agentes de endemias nos municípios realizem trabalhos de orientação junto à população. Geralmente, os primeiros atendimentos, em casos de acidentes, são feitos em UPAs ou hospitais municipais, onde o paciente recebe os cuidados. Quando ocorrem as picadas, o setor de epidemiologia da unidade de atendimento é acionada e, em seguida, os agentes entram em contato com a vítima e fazem acompanhamento da recuperação. A identificação do escorpião causador do acidente também é importante, já que pode auxiliar no diagnóstico.
A orientadora da Célula de Vigilância e Prevenção de Doenças Transmissíveis e Não Transmissíveis da Sesa, Juliana Borges, pontua que pessoas mais vulneráveis, como crianças de até 12 anos e idosos acima de 65 anos de idade, devem receber um cuidado redobrado. Outro destaque feito por ela é a unidade de referência, o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), localizado no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza.
“A nossa unidade de referência é o Ceatox, no IJF. É uma unidade de referência do município de Fortaleza. Mas, mesmo com a nossa referência municipal, a gente lembra que a população geralmente busca atendimento nas UPAs. Nós temos UPAS de gestão municipal e temos também seis UPAs de gestão estadual voltadas para casos desse tipo. Quando os pacientes têm um quadro mais grave, são direcionados para o Ceatox”, enfatiza a orientadora.
O crescimento de incidentes envolvendo escorpiões no Ceará é verificado desde 2015. O número passou de 2.882, naquele ano, para 3.922 (2016), seguido de 4.284 (2017), 5.090 (2018) e 6.587, em 2019. Os números representam um aumento de aproximadamente 114% ao longo da série histórica. Em 2020, foram registrados 6.026 casos de acidentes pela espécie.
Conforme Juliana, o aumento de notificações de acidentes por escorpiões deve-se, principalmente, à melhoria da vigilância profissional sobre os casos. “O fato pode ser observado devido à sensibilização de profissionais em notificar casos e a melhoria na vigilância desse agravo. Além disso, a gente precisa ressaltar a parceria com as mídias na divulgação da necessidade de se buscar atendimento na unidade de saúde mais próxima em situações acidentais”, destaca Juliana Borges.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CUIDADOS
Por meio do Boletim Escorpiônico, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) recomenda cuidados à população cearense sobre os riscos de acidentes por escorpiões. Confira, abaixo, quais medidas de prevenção devem ser tomadas e como proceder em situações de picadas da espécie:
O que não fazer após ser agredido por um escorpião:
O que fazer após ser agredido por um escorpião: