
Em um cenário marcado pelo cruzamento no coração do Centro de Fortaleza, vive dona Luíza Silva e seu filho.
Sob uma barraca de lona preta, sustentada por alguns aparatos improvisados, Luíza dedica-se incansavelmente ao cuidado de três cachorrinhas resgatadas de situações de maus-tratos.
Desempregada durante a pandemia, Luíza, agora sem o suporte do Bolsa Família após ser vítima de um assalto que levou seus documentos, encontra na solidariedade alheia a fonte para alimentar suas fiéis companheiras. Em meio à simplicidade, ela procura oferecer amor, carinho e cuidados aos animais que se tornaram seus confidentes.
"Eu já fiz o pedido dos meus documentos, estou com o papel ali para buscar, mas eu não tenho dinheiro para pagar minha passagem, porque ninguém anda de ônibus de graça. Aí, o povo ajuda muito aqui com os cachorros, dando rações, porque ajuda minha é assim depois que eu perdi meu auxílio", relata Luíza.
Questionada sobre a presença das cadelas, Luíza destaca seu compromisso em não permitir que continuem sendo vítimas de violência. Enfrentando ameaças e até mesmo o envenenamento de dois de seus animais, ela expressa sua determinação em zelar por suas "filhas".
Durante as noites, Luíza transfere as cachorrinhas para a barraca, permanecendo em alerta, temendo possíveis tentativas de envenenamento. Natural de Reriutaba, na região norte do Estado, Luíza revela seu desejo de retornar à sua terra natal, onde almeja encontrar um local adequado para proporcionar o melhor cuidado possível às suas "filhas".