
O empresário George Viana Mendes, de 51 anos, continua no posto de recordista de doações de sangue no cadastro do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce). Até agora, foram 85 doações registradas. Com este total, ele pode ter ajudado a salvar mais de 300 vidas, levando em conta que cada doação pode ajudar até quatro pessoas.
Há pelo menos seis anos, George lidera o número de doações no sistema do Hemoce. Atualmente, ele divide o posto com outro doador que também alcançou a marca de 85 doações, conforme dados da instituição. George costuma fazer quatro doações por ano — a quantidade máxima de doações que podem ser feitas pelos homens, com intervalos a cada dois meses. As mulheres podem doar sangue a cada três meses e não devem ultrapassar as três doações por ano.
A primeira doação de George em 2024 ainda não aconteceu. Isso porque ele fez uma cirurgia bariátrica em outubro do ano passado e aguarda ser liberado pelo médico para poder voltar a doar. "Tem que esperar um tempinho para poder voltar a doar, mas assim que puder, eu vou voltar às quatro vezes por ano. Eu acho que vou conseguir até março, aí dá tempo de fazer as quatro [doações em 2024]", contou ao g1.
O número de vezes que ele já doou sangue é maior que o registrado pelo Hemoce. Isso porque ele doou pela primeira vez aos 18 anos, em 1990. E, desde então, tem mantido o hábito das quatro doações anuais. O sistema informatizado do centro hematológico só contabiliza as doações feitas a partir do ano de 1999.
"Eu fui doar em um hospital a pedido de alguém, para algum familiar que estava precisando. Eu tinha 18 anos e um pouquinho. E aí eu soube que o meu tipo sanguíneo serve para qualquer pessoa. Eu soube que precisavam muito do meu tipo de sangue e me tornei um doador assíduo, não parei mais de doar", detalha o empresário.
O tipo sanguíneo de George é do grupo O com Rh negativo, uma combinação considerada estratégica e muito importante para os hemocentros. Isso porque o sangue do "doador universal" pode ser recebido por pessoas de todos os outros tipos sanguíneos. Além disso, pessoas com sangue O negativo são minoria na população brasileira.
O empresário conta que ficou ainda mais motivado a seguir doando depois de uma informação dada por Luciana Carlos, diretora-geral do Hemoce. Ao conhecê-la em um evento, George descobriu que o tipo de sangue dele é usado nas situações de emergência, quando o paciente tem um quadro muito grave e não pode esperar o tempo de classificação do sangue para receber uma transfusão.
Em 2023, o Hemoce teve maior número de doações de sangue dos últimos sete anos. Foram 106,5 mil bolsas de sangue coletadas no ano passado, sendo essenciais para atender pacientes de aproximadamente 500 unidades de saúde em todo o Ceará. Conforme informações do hemocentro, as bolsas coletadas são destinadas principalmente para pessoas em tratamento de câncer, doenças hematológicas e que precisam realizar cirurgias eletivas e de emergências.