
A organização internacional Mercy For Animals (MFA) denunciou práticas extremamente cruéis em matadouros municipais no Nordeste do Brasil. Segundo a investigação divulgada, cinco abatedouros na região têm ignorado a lei de Abate Humanitário, adotando métodos brutais e arcaicos. Três deles estão localizados no Ceará.
De acordo com o relatório da MFA, divulgado pelo jornal O Globo, os métodos de abate relatados incluem golpes violentos na cabeça dos animais com varas de metal ou madeira, execuções com cortes de machado e, de maneira ainda mais alarmante, o abate de vacas prenhas, práticas estas que estão em desacordo com as leis de proteção animal e com os procedimentos recomendados pela lei do Abate Humanitário.
Três dos cinco matadouros nordestinos localizam-se no estado do Ceará, nos municípios de Quixeramobim, Pacoti e Pentecoste. Os outros dois estão localizados no Rio Grande do Norte, nos municípios de Caicó e Jardim do Seridó.

Em um dos abatedouros alvo da ação da MFA, sob condições de higiene precárias, os instrumentos utilizados para cortar animais eram limpos em um balde com água suja e reutilizados, sem passar por esterilização. Em outro, os corpos dos animais eram manipulados diretamente no chão imundo. Também foram constatadas vísceras em decomposição no local de abate.
Além disso, segundo a MFA, nenhum dos locais vistoriados possui um inspetor de abate ou médicos veterinários, como previsto em lei. Os funcionários não utilizam Equipamento de Proteção Individual (EPI) e muitos chegam a aparecer de chinelo ou sem camisa nas gravações. Ex-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Ceará, José Maria dos Santos Filho explica que o consumo de carnes abatidas em locais que não seguem as normas de vigilância sanitária podem ocasionar até 200 doenças através da ingestão de toxinas, bactérias, vírus, protozoários e helmintos.