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Matadouros do Ceará ignoram a Lei de Abate Humanitário e deixam população local em risco

ONG flagrou vacas prenhes abatidas, marretadas na cabeça com varas de metal ou madeira, e mortes com cortes de machado

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues Fonte: CN7, com O Globo
09/03/2024 às 21h07
Matadouros do Ceará ignoram a Lei de Abate Humanitário e deixam população local em risco
Reprodução

A organização internacional Mercy For Animals (MFA) denunciou práticas extremamente cruéis em matadouros municipais no Nordeste do Brasil. Segundo a investigação divulgada, cinco abatedouros na região têm ignorado a lei de Abate Humanitário, adotando métodos brutais e arcaicos. Três deles estão localizados no Ceará.

De acordo com o relatório da MFA, divulgado pelo jornal O Globo, os métodos de abate relatados incluem golpes violentos na cabeça dos animais com varas de metal ou madeira, execuções com cortes de machado e, de maneira ainda mais alarmante, o abate de vacas prenhas, práticas estas que estão em desacordo com as leis de proteção animal e com os procedimentos recomendados pela lei do Abate Humanitário.

Três dos cinco matadouros nordestinos localizam-se no estado do Ceará, nos municípios de Quixeramobim, Pacoti e Pentecoste. Os outros dois estão localizados no Rio Grande do Norte, nos municípios de Caicó e Jardim do Seridó.

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Em um dos abatedouros alvo da ação da MFA, sob condições de higiene precárias, os instrumentos utilizados para cortar animais eram limpos em um balde com água suja e reutilizados, sem passar por esterilização. Em outro, os corpos dos animais eram manipulados diretamente no chão imundo. Também foram constatadas vísceras em decomposição no local de abate.

Além disso, segundo a MFA, nenhum dos locais vistoriados possui um inspetor de abate ou médicos veterinários, como previsto em lei. Os funcionários não utilizam Equipamento de Proteção Individual (EPI) e muitos chegam a aparecer de chinelo ou sem camisa nas gravações. Ex-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Ceará, José Maria dos Santos Filho explica que o consumo de carnes abatidas em locais que não seguem as normas de vigilância sanitária podem ocasionar até 200 doenças através da ingestão de toxinas, bactérias, vírus, protozoários e helmintos.