De acordo com o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, a presidente conduzirá a conversa com a chanceler alemã "no mesmo tom" em que vem se manifestando em relação à crise. Na quinta-quinta-feira, Dilma criticou a política monetária dos países ricos, que segundo ela, provoca um "tsunami" de dólares nos países emergentes, o que desvaloriza a moeda local e prejudica setores da indústria que exporta. Conforme Garcia, o Brasil quer saber o que será feito do empréstimo concedido, semana passada, a bancos europeus, se servirá para investimento interno ou especulação externa. "Nós queremos saber qual é o destino desse dinheiro. Ele vai ser utilizado para o desenvolvimento da União Europeia ou vão ser entregues aos bancos?", questionou. No dia seguinte, Merkel chegou a dizer que entende as críticas feitas por Dilma. "De certa maneira, eu entendo as dúvidas dela. É por isso que vou tentar dizer a ela que planejamos perseguir reformas. Desta vez, certamente, não vamos adotar medidas semelhantes de novo". Apesar de a crise internacional ser a principal pauta da viagem, o mote do convite é a Feira Internacional de Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Software e Serviços (Cebit), a qual a Dilma visitará na terça-feira, dia seis, às 9h. A presidente planeja passar cerca de duas horas, começando pelo pavilhão do Brasil. Após pronunciamento à imprensa, previsto para às 11h30, a presidente participa de um almoço de trabalho com a Confederação da Indústria da Alemanha e empresários brasileiros e alemães. A Alemanha é parceira do Brasil no programa Ciência sem Fronteiras, que concede bolsas para brasileiros cursarem graduação ou pós-graduação no exterior. Durante a visita, Dilma deverá reiterar a intenção do governo brasileiro em enviar estudantes, mas vai também insistir para que cientistas e técnicos alemães atuem no Brasil. A reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras questões de política externa também deverão ser debatidas, como a crise na Síria, a Palestina e o Irã. "A presidenta vai reafirmar aquilo que é próprio da política externa brasileira: a busca de soluções negociadas, diplomáticas, mesmo quando essas soluções parecem muito difíceis".
Reuters