Para o bioeticista Volnei Garrafa, da Universidade de Brasília, a aprovação da venda de remédios fora da farmácia é um "retrocesso". "Em países com sistema de saúde rigorosos, como na Europa, as vendas são nas farmácias, que contam com farmacêuticos o tempo todo".A medida está sendo "importada" de países como os EUA, que permitem a venda de medicamentos sem prescrição em supermercados. "Mas no Brasil temos uma disparidade socioeducacional muito grande. As pessoas poderiam acabar trocando a compra de frutas por vitaminas em cápsulas", disse.Na opinião do presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter da Silva Jorge João, a liberação representa uma "irresponsabilidade". "O Brasil já tem um dos mais altos índices de automedicação do mundo. Com certeza, essa medida só irá agravar esse quadro", avalia.A proposta de venda de remédios em supermercados foi inserida em um texto que tratava originalmente da desoneração de produtos para portadores de necessidades especiais e surpreendeu até quem é do setor. "Não conhecíamos essa discussão", disse Aurélio Saez, da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip). O texto agora será encaminhado para sanção da presidente Dilma Rousseff.
Diário do Nordeste