
Autoridades políticas do Ceará se manifestaram contra o ataque realizado pelos Estados Unidos à Venezuela no último sábado (3), classificando a ação como uma violação ao direito internacional e um risco à estabilidade da América Latina.
O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, afirmou que a ofensiva representa uma ameaça direta à soberania venezuelana e pode gerar impactos para toda a região. Segundo ele, a interferência estrangeira abre um precedente perigoso e exige uma resposta imediata da comunidade internacional.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, também condenou a ação e destacou os riscos de escalada de conflitos. Para ele, ataques entre nações enfraquecem as normas internacionais e ampliam o cenário de guerras e sofrimento.
O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri, também se posicionou de forma crítica ao ataque e fez duras declarações sobre os líderes envolvidos no conflito. Para ele, tanto a condução do governo venezuelano quanto a ação dos Estados Unidos ignoram os impactos sobre a população.
Aldigueri também demonstrou preocupação com os efeitos do conflito para a América Latina e alertou para possíveis novos episódios de intervenção estrangeira na região.
Já o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Leo Couto, reforçou a necessidade de atuação imediata da ONU e criticou a interferência externa em território venezuelano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados por forças americanas durante uma operação militar em território venezuelano e colocados sob custódia dos EUA, com destino ao sistema judicial americano.
A missão, batizada de Operação Absolute Resolve, foi autorizada por Trump quatro dias antes de sua execução e acompanhada por ele em tempo real, a partir de seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. De acordo com o ex-presidente, Maduro e Cilia Flores foram levados de helicóptero até o navio anfíbio USS Iwo Jima, no mar do Caribe, e depois encaminhados aos Estados Unidos.
O casal ficará detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn e responderá a processo no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, onde já havia denúncias formalizadas pela Procuradoria-Geral dos EUA. Ainda não há data para o julgamento.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos pretendem administrar a Venezuela de forma interina por meio de um grupo ainda não anunciado, até que ocorra uma transição de poder que ele classificou como “justa e legal”.
Pela Constituição venezuelana, em caso de ausência do presidente, o poder deveria ser assumido pela vice-presidente Delcy Rodríguez. A situação gerou disputa política e jurídica, mas, no fim da noite, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que Rodríguez assumisse interinamente a Presidência, com o objetivo de garantir a continuidade administrativa do país.
Havia expectativa de que a líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz, Maria Corina Machado, pudesse assumir o comando do país, mas Trump afirmou que ela “não tem apoio nem respeito na Venezuela”, indicando que Washington ainda não definiu quem lideraria um eventual governo pós-Maduro.