
A Polícia Civil do Ceará desarticulou um esquema de extorsão e prendeu um suspeito em Fortaleza, nesta quinta-feira, 29. Uma médica foi vítima de um golpe planejado pela própria filha adolescente, em conluio com amigas e um homem de 25 anos.
A investigação aponta que grupo simulou dívidas com agiotas e fez ameaças de morte para retirar cerca de R$ 180 mil da vítima durante quatro meses.
O caso culminou na prisão em flagrante do homem, apontado como o responsável por recolher o dinheiro, na última quarta-feira, 28, no bairro José de Alencar, em Fortaleza.
Segundo o inquérito policial obtido pelo O POVO, o caso começou em setembro de 2025. A filha, de apenas 16 anos, alegou à mãe que havia causado danos ao imóvel de uma festa e precisava pagar pelo prejuízo. A mãe arcou com o valor inicial.
O grupo composto pela adolescente, duas amigas e o homem preso teriam inventado que a dívida havia crescido e passado para as mãos de agiotas.
De acordo com os autos, o grupo, com a participação da filha da vítima, enviava mensagens afirmando que, se o dinheiro não fosse pago, a adolescente seria sequestrada, espancada ou morta. A médica realizou diversas transferências bancárias que totalizaram quase R$ 180 mil.
A vítima foi coagida a pagar mais uma parcela de R$ 45 mil para encerrar as ameaças de um suposto "novo agiota", mas acionou a Polícia Civil, que montou uma operação no local combinado para a entrega do dinheiro.
O suspeito de 25 anos foi preso em flagrante com o valor em espécie. Em depoimento, ele negou as ameaças e alegou que foi contratado apenas para buscar a quantia.
O POVO teve acesso ao documento de audiência de custódia realizada nessa quinta-feira, 29. A Justiça converteu a prisão em flagrante do homem em prisão preventiva. O juiz destacou a "gravidade concreta" do delito e a frieza dos envolvidos em manter o terror psicológico contra a vítima por meses.
O caso segue sob segredo de justiça para preservar a identidade da adolescente e, consequentemente, da vítima. O homem responderá pelos crimes de extorsão qualificada e associação criminosa. O POVO não divulga o nome dos envolvidos para não expor a adolescente e a vítima da ação. Não há informações sobre os procedimentos relacionados à adolescente e as amigas.