
Os filmes cearenses “Feito Pipa” e “Fiz um foguete imaginando que você vinha” foram premiados no 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim neste sábado (21). Ambas as produções surgiram em iniciativas da Escola Porto Iracema de Artes e tiveram cenas gravadas em Quixadá, no interior do estado.
Já "Fiz um foguete imaginando que você vinha", de Janaína Marques, ganhou o Prêmio do Júri de Leitores do Tagesspiegel, um dos mais importantes jornais da Alemanha.
“A cultura do Ceará vive uma fase fértil e de ótimos resultados devido a esse compromisso político, do investimento contínuo em Cultura: em formação, em circulação, em desenvolvimento. As três premiações assim como nosso avanço com a Ceará Audiovisual são comprovações de que investir em ensino de qualidade, em formação e circulação artística forma base para um futuro de sucesso”, comemorou a secretária da Cultura do estado, Luisa Cela.
Para o governo estadual, a conquista na Berlinale 2026 comprova o reconhecimento da produção audiovisual brasileira em um dos festivais mais importantes e prestigiados do mundo. As obras se destacaram pela potência narrativa, originalidade estética e pela abordagem sensível de suas temáticas, conquistando o júri e o público presentes no festival.
Estrelado por Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira, o filme acompanha Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol. Criado de forma livre e amorosa pela avó Dilma, ele vê seu mundo ameaçado quando a saúde dela se fragiliza. Com medo de ser separado da mulher que é seu maior porto seguro, Gugu tenta esconder a situação para evitar morar com o pai, que não o aceita como ele é.
Durante o evento, Allan comentou que “o nosso cinema pode deixar de ser regional e ser nacional e internacional, sendo cada vez mais incentivado para fazer o nosso cinema brasileiro ir ainda mais longe”, como já tem feito.
O filme se desenvolve como um retrato íntimo de uma mulher convocada a revisitar sua própria história quando já não consegue se reconhecer nela. Diante da dificuldade de acessar uma memória feliz, a protagonista Rosa (vivida por Verônica Cavalcanti) mergulha numa busca interior que se torna a própria narrativa do longa. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória, uma jornada íntima em que Rosa reencontra a mãe (interpretada por Luciana Souza) e a transforma em parceira de estrada.
Uma jornada é, antes de tudo, um gesto de sobrevivência. Incapaz de acessar lembranças felizes, Rosa cria seus próprios caminhos, e a viagem com a mãe ganha um caráter sensorial, íntimo e restaurador.