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Justiça mantém demissão de engenheiro que usava sala da Santa Casa de Sobral para comércio

Engenheiro processou hospital após ser demitido por justa causa, mas Justiça recusou pleito

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues Fonte: G1 CE
09/03/2026 às 00h57
Justiça mantém demissão de engenheiro que usava sala da Santa Casa de Sobral para comércio
Foto: Reprodução

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de um engenheiro civil que trabalhava na Santa Casa de Misericórdia de Sobral e foi acusado de usar a estrutura do hospital para vender produtos da sua loja e fazer as entregas. O engenheiro também teria permitido, indevidamente, que um funcionário morasse em uma sala do hospital e até instalasse uma churrasqueira no local.

A sentença foi proferida em fevereiro pela 2ª Vara do Trabalho de Sobral e divulgada somente agora. Na decisão, a Justiça recusou o pedido do engenheiro para reverter a demissão por justa causa e deu razão ao hospital.

Conforme depoimentos colhidos ao longo do processo, o engenheiro utilizava subordinados e veículos do hospital para realizar entregas de mercadorias de uma loja particular, além de comercializar produtos como redes e itens de cama dentro de sua sala no hospital. O homem também teria autorizado - sem ter competência para tal - que um funcionário residisse em uma sala da unidade de saúde. Uma churrasqueira chegou a ser instalada no local.

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Testemunhas também relataram práticas de assédio moral, com uma coordenadora declarando ter sido sistematicamente excluída de decisões e reuniões. Além disso, subordinados eram constrangidos a cumprir ordens fora do escopo do trabalho, como buscar objetos pessoais do gestor em outras cidades.

Quando acionou a Justiça trabalhista, o engenheiro alegou ter sofrido perseguição política dentro do hospital após a mudança na gestão da Prefeitura de Sobral. Ele solicitou a reversão da demissão por justa causa e o recebimento de verbas indenizatórias típicas da demissão sem justa causa, além de indenização por danos morais.

Nas provas que anexou ao processo, o próprio engenheiro apresentou prints de conversas em que ele negociava produtos, servindo de provas contra ele mesmo. Na decisão, a juíza Maria Rafaela de Castro considerou que a Santa Casa agiu corretamente ao conduzir a investigação dos fatos e a demissão do engenheiro.

A magistrada recusou o pedido do engenheiro de suspensão da demissão por justa causa e o pagamento de verbas indenizatórias. A juíza, porém, ordenou que o hospital pagasse a diferença salarial para o engenheiro pelo tempo trabalhado, uma vez que o valor que ele recebia, de R$ 6 mil, era inferior ao estabelecido pelo piso salarial para engenheiros.