
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou facções criminosas brasileiras como risco para a segurança regional.
“Os Estados Unidos consideram que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, representam ameaças significativas à segurança regional em razão de seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, informou o Departamento de Estado dos EUA em nota.
Apesar da avaliação, o órgão evitou antecipar se pretende formalizar a classificação dessas organizações como terroristas.A manifestação foi divulgada em resposta a questionamento do Times Brasil, licenciado da CNBC no País.
A possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas foi informada nesta semana pelo portal de notícias UOL.O assunto entrou na agenda diplomática entre Brasília e Washington e passou a ser discutida entre autoridades dos dois países.
O tema foi tratado no último domingo, 8, durante conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio.
O telefonema ocorreu depois da reunião de Trump com presidentes latino-americanos na Flórida, na qual ele discutiu operações de combate ao crime organizado.O encontro, para o qual Lula não foi convidado, foi batizado como Escudo das Américas, e tratou de segurança pública.
Foram discutidos na conversa aspectos da cooperação judicial e o tema do crime organizado, no âmbito da preparação da visita de Lula e a Trump, adiada após o início da guerra ao Irã.
Integrantes do governo brasileiro temem que a classificação possa dar verniz legal a intervenções militares na América Latina, e lembram da operação de captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela.
Os EUA empregaram uma força aérea e naval militar numa suposta operação contra cartéis de drogas venezuelanos.
Além disso, o Executivo não vê respaldo para a classificação por entender que o crime de terrorismo, conforme a lei vigente no País, tem razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.
Diplomatas que acompanham as discussões entendem que o vazamento da informação e o avanço da agenda, sobretudo nos escalões mais baixos da máquina burocrática americana, atende a clamores do lobby bolsonarista nos EUA, por opor os dois governos, em ano eleitoral.
O Palácio do Planalto tem buscado criar canais de confiança com a Casa Branca, mas sabe da objeção política de integrantes do Departamento de Estado próximos aos bolsonaristas, como o novo consultor de Políticas para o Brasil, Darren Beattie. O governo brasileiro, por isso, tem buscado discrição nos contatos.
A discussão sobre considerar PCC e CV como grupos terroristas ganhou corpo no ano passado e pautou debates no Congresso Nacional, com adesão de parlamentares de direita e de oposição a Lula.
A eventual designação deve ser abordada em um encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, ainda no primeiro semestre. A data da reunião ainda não foi definida.