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Consumo de cigarro entre jovens cresce no Ceará, na contramão do país

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo IBGE

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Ceará Agora
26/03/2026 às 09h50 Atualizada em 26/03/2026 às 11h24
Consumo de cigarro entre jovens cresce no Ceará, na contramão do país
Foto: Reprodução

O Ceará apresentou um comportamento fora do padrão nacional no consumo de tabaco entre adolescentes. Diferente do restante do país, o estado registrou aumento na proporção de estudantes que já experimentaram cigarro nos últimos anos.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo IBGE, que analisa hábitos e condições de saúde de jovens entre 13 e 17 anos em escolas públicas e privadas.

Enquanto no Brasil houve queda na experimentação do cigarro, o Ceará seguiu na direção oposta, com leve crescimento no índice. Mesmo assim, o estado ainda aparece abaixo de algumas unidades da federação que concentram os maiores percentuais.

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O levantamento também revela desigualdades importantes. No Ceará, o contato com o cigarro é mais frequente entre alunos da rede pública, com índices bem superiores aos da rede privada. Entre os gêneros, os meninos apresentam maior taxa de experimentação em comparação às meninas.

Outro ponto de atenção é o acesso facilitado ao produto, mesmo sendo proibido para menores de 18 anos. Parte significativa dos adolescentes afirmou conseguir comprar cigarro diretamente em estabelecimentos comerciais, enquanto poucos relataram ter a venda recusada.

A pesquisa ainda aponta que muitos jovens têm o primeiro contato com o tabaco ainda na infância ou início da adolescência, o que aumenta os riscos de manutenção do hábito ao longo da vida.

Apesar de uma redução nacional no consumo recente, medido nos últimos 30 dias, o Ceará apresentou pequena alta nesse indicador, reforçando o alerta para autoridades de saúde.

Especialistas também destacam o avanço de novos dispositivos, como os cigarros eletrônicos, que têm ganhado espaço entre adolescentes, mesmo com a proibição no país. A influência das redes sociais e a exposição a conteúdos que estimulam o uso são apontadas como fatores que contribuem para esse cenário.

O consumo precoce de tabaco está associado a uma série de problemas de saúde, incluindo doenças crônicas como câncer, problemas respiratórios e cardiovasculares. Além disso, pode impactar o desenvolvimento físico, emocional e o desempenho escolar.

Diante desse quadro, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e ao controle do tabagismo entre jovens.