
O grupo Energisa, detentor de 11 distribuidoras em diferentes estados, avalia a possibilidade de adquirir a operação da Enel Distribuição Ceará. A movimentação faz parte de uma estratégia de expansão, sobretudo após o Ministério de Minas e Energia não incluir a concessão cearense na lista de renovações antecipadas. A informação foi divulgada pelo jornalista Júlio Wiziack, do UOL.
A Enel atravessa uma grave crise na prestação do serviço e, oficialmente, afirma não ter interesse em vender suas operações. Ainda assim, há movimentações de mercado, especialmente em São Paulo, onde já existem grupos analisando a aquisição da concessão, diante da abertura de um processo que pode resultar no encerramento do contrato por falhas recorrentes.
No caso do Ceará, bem como no Rio de Janeiro e em São Paulo, a regra em discussão prevê que, caso surjam propostas de compra antes do término dos contratos, poderá haver renovação automática das concessões — desde que a negociação seja aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Fontes ligadas ao governo federal, que participam das tratativas com as distribuidoras, indicam que consultorias já foram contratadas para estruturar possíveis propostas e há expectativa de que a Enel acabe cedendo.
Em nota, a companhia reafirmou que não pretende vender nenhuma de suas três concessões no Brasil e que, caso isso ocorra, estará se retirando do mercado de distribuição no país. Com o governo italiano como acionista relevante, detendo cerca de 29% de participação, a Enel atende atualmente cerca de 14 milhões de clientes em 274 municípios brasileiros.