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A fala de Ciro sobre Cid revela feridas que nunca cicatrizaram

Confira a coluna do jornalista Reginaldo Silva

Reginaldo Silva
Por: Reginaldo Silva
19/05/2026 às 11h22
A fala de Ciro sobre Cid revela feridas que nunca cicatrizaram
Foto: Fabiane de Paula/SVM

Dentre vários temas que marcaram o lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará no último sábado, um deles, em especial, chamou a atenção. A ironia de Ciro em relação à fala de Cid para defender o nome de Pastor Alcides Fernandes ao Senado Federal.

A fala irônica de Ciro, ao relembrar o episódio em que Cid se refere ao Pastor Alcides como “o pai do André” demonstra um certo ressentimento do irmão, ainda em relação ao racha de 2022, envolvendo PT e PDT.

Ciro acreditava que poderia ganhar a eleição para presidente caso decolasse na campanha a partir de um palanque puro no Ceará. O resultado da eleição foi desastroso e o ex-ministro nunca engoliu o comportamento de Camilo e Cid naquela pleito eleitoral, o restante da história todos já conhecem.

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Esse fato mal resolvido de 2022, gera até os dias de hoje, narrativas de traição e ingratidão de lado a lado, fatos que mais cedo ou mais tarde terão que ser jogados na mesa, ou na mídia, abertamente.

Até aqui, pela capacidade de comunicação, Ciro vem ganhando essa batalha de narrativas. Não há ainda uma linha de defesa estruturada por parte da base governista capaz de construir uma síntese de pensamento que prove que não houve traição e falta de lealdade com o ex-presidenciável Ciro Gomes, e que o resultado daquela eleição foi fruto das circunstância do momento político do país.

Dentro desse contexto, três cenários são desenhados: Ciro segue sua saga de Edmond Dantès, disposto a defender até mesmo o PL de Jair Bolsonaro, que sempre combateu, para aliviar a derrota sofrida em 2022, mesmo que para isso tenha que enfrentar o próprio irmão.

Outro cenário também precisa ser avaliado. Até quando o senador Cid Gomes vai se resguardar desse confronto de narrativas e esclarecer o que realmente ocorreu em 2022, fato que o levou a se refugiar na Serra da Meruoca para evitar um embate público com o irmão, já naquela época.

É imperioso destacar que povo cearense merece um debate público de alto nível sobre propostas e o futuro do Estado; não de falas sobre lacração, que alimentam egos e queimam na fogueira das vaidades, deixando em segundo plano discussões que realmente interessam e apontam caminhos para o futuro do Ceará.

Os marqueteiros das campanhas de governo e oposição precisam jogar luz nas sombras, direcionando os postulantes para um debate propositivo, deixando de lado sentimentos passados que não importam ao povo cearense.

O Ceará não precisa de candidatos disputando ressentimentos de 2022. Precisa de líderes capazes de discutir como o Estado quer chegar em 2030.